ZURIQUE — Eleitores suíços rejeitaram uma proposta para incluir na Constituição uma definição mais rígida de neutralidade, que poderia limitar a aplicação de sanções econômicas e a cooperação com a Otan. Todos os cantões votaram contra a mudança, rejeitada por cerca de 70% dos eleitores, conforme os resultados finais do Escritório Federal de Estatística.
A proposta foi defendida pelo Partido Popular Suíço (SVP), de direita. A legenda argumentou que a posição tradicional do país foi prejudicada depois que Berna impôs sanções à Rússia após a invasão da Ucrânia. A campanha pela aprovação usou cartazes com a mensagem “Não à guerra, sim à neutralidade” e imagens de pombas brancas da paz.
O ministro das Relações Exteriores, Ignazio Cassis, afirmou que o resultado não representa uma rejeição à neutralidade suíça. “A Suíça era neutra ontem, é neutra hoje e continuará neutra no futuro”, disse em uma coletiva após a divulgação do resultado.
A neutralidade suíça é reconhecida internacionalmente desde o fim das guerras napoleônicas, em 1815, mas os critérios para sua aplicação pelo governo não estão definidos de forma explícita. Para Cassis, a decisão permite que o país continue avaliando sanções econômicas caso a caso e coopere com parceiros quando isso contribuir para sua segurança. Ele também afirmou que a segurança suíça depende da proteção de seus vizinhos e do continente europeu.








