A COSCO rejeitou as acusações de que seus navios comerciais seriam usados para captar comunicações militares e reunir informações para a China. Em comunicado, a estatal chinesa afirmou que os equipamentos instalados nas embarcações servem exclusivamente a atividades comerciais e classificou as suspeitas como “totalmente infundadas”.
A empresa declarou que os sistemas de comunicação, navegação, segurança e operação são empregados para garantir a segurança da navegação, manter contato entre os navios e instalações em terra e responder a emergências. Também negou o uso das embarcações para interceptar comunicações militares ou coletar inteligência e disse que poderá recorrer à Justiça se considerar que informações falsas estão prejudicando suas operações e sua imagem.
As acusações foram apresentadas por autoridades dos Estados Unidos com base em informações de dois altos funcionários do governo do presidente Donald Trump. Segundo os funcionários, Washington avalia que algumas embarcações da COSCO podem transportar equipamentos capazes de captar sinais emitidos por navios e aeronaves próximos às costas americanas e de outros países.
Na avaliação das autoridades, os dados obtidos poderiam revelar tecnologias empregadas em comunicações militares e permitir o acompanhamento do deslocamento de forças estrangeiras. Os funcionários também afirmaram que a COSCO mantém, há décadas, uma relação de cooperação com o aparato de inteligência chinês.
As suspeitas fazem parte de uma série de medidas americanas envolvendo a empresa. Em janeiro de 2025, o Departamento de Defesa dos Estados Unidos incluiu a China COSCO Shipping Corporation e companhias ligadas ao grupo em uma lista de empresas chinesas consideradas vinculadas ao setor militar do governo de Pequim.
Na atualização publicada pelo Pentágono neste ano, a COSCO é descrita como controlada diretamente pelo órgão estatal chinês responsável por grandes empresas públicas. O documento também a enquadra na estratégia de integração entre os setores civil e militar da China e afirma que a companhia atua oficialmente em nome do Exército de Libertação Popular em determinadas atividades.
A chamada “fusão militar-civil” é descrita pelo Pentágono como um mecanismo que permite às Forças Armadas chinesas acessar tecnologias, pesquisas e conhecimentos desenvolvidos por empresas e instituições civis. A COSCO está entre as maiores companhias de transporte marítimo do mundo e opera em diversas rotas comerciais internacionais, com acesso regular a portos e águas próximas de instalações estratégicas de diferentes países.








