O Congresso da Bolívia aprovou nesta quinta-feira, 17, a extensão por 90 dias do estado de exceção adotado pelo governo de Rodrigo Paz. A medida venceria nesta sexta-feira, 18, e permite que as Forças Armadas apoiem a polícia na manutenção da circulação e da ordem pública.
O decreto original entrou em vigor em 20 de junho, depois de semanas de manifestações e bloqueios de rodovias organizados por sindicatos, camponeses e grupos associados ao ex-presidente Evo Morales. A crise econômica, a falta de combustíveis e a distribuição de gasolina adulterada estiveram entre os motivos dos protestos. Parte dos manifestantes também passou a pedir a saída de Paz.
Os bloqueios afetaram o abastecimento de alimentos, combustíveis e oxigênio medicinal em algumas áreas do país. O governo afirma que a medida ajudou a diminuir os conflitos, mas sustenta que permanecem as condições para novas mobilizações.
Pressão por novos protestos
Ao defender a renovação no Congresso, o ministro de Governo, Marco Antonio Oviedo, disse que a prioridade é manter a circulação e permitir a retomada das atividades econômicas. O governo mencionou alertas sobre a preparação de bloqueios, marchas e paralisações.
Camponeses, produtores de coca ligados a Morales e caminhoneiros estão entre os grupos que podem voltar às ruas. A alta dos combustíveis também alimenta a insatisfação: a administração de Paz dobrou o preço da gasolina e triplicou o do diesel.
A decisão foi tomada enquanto o governo negocia medidas com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O acordo em discussão prevê que a Bolívia encerre os subsídios aos combustíveis a partir de janeiro de 2027. O país também negocia com o organismo um financiamento de US$ 1,9 bilhão.
A Central Obrera Boliviana (COB), que participou das mobilizações deste ano, contestou a necessidade da prorrogação. Professores fizeram manifestações nesta semana contra as medidas econômicas e a continuidade do estado de exceção.








