Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Anthropic relata uso de Claude em vigilância, armas e campanhas de influência

Relatório descreve aplicações do sistema em espionagem no Mali, drones na Rússia, armamentos no Iêmen e relacionamentos falsos na China.

Anthropic relata uso de Claude em vigilância, armas e campanhas de influência
Foto: Divulgação/Anthropic

A Anthropic divulgou um relatório sobre o uso do sistema de inteligência artificial Claude em atividades de vigilância patrocinadas por Estados, operações de propaganda, desenvolvimento de armas e aplicativos de relacionamento operados por robôs.

No Mali, um consultor de tecnologia em Bamako, que colaborava com o serviço de inteligência estatal controlado pela junta militar, usou o Claude Code para criar o sistema de vigilância “Lakana 360”. A ferramenta pode monitorar cerca de 25 milhões de cartões SIM da rede móvel do país, interceptar chamadas, mensagens de texto e tráfego de voz, identificar pessoas pela voz mesmo após a troca de chip e detectar o uso de criptografia ou redes privadas virtuais. A Anthropic afirmou que não conseguiu desativar a aplicação.

Na Rússia, desenvolvedores usaram o Claude para criar um software destinado à operação de drones autônomos “kamikazes”. O enxame poderia escolher os próprios alvos e realizar ataques sem uma decisão humana final. Os autores disseram ter recebido financiamento de programas governamentais e militares, mas a Anthropic avaliou que o grupo era independente e não representava uma operação oficial do governo.

No norte do Iêmen, um grupo recorreu ao Claude Code para auxiliar na fabricação de armamentos. A ferramenta foi usada no software de um foguete guiado, em projetos para um míssil de longo alcance e no desenvolvimento de um veículo planador hipersônico. Não há evidências de que uma arma funcional tenha sido concluída. O grupo realizou um teste de foguete e depois voltou a consultar a IA para tentar descobrir o que havia dado errado.

Propaganda e influência

Na França, campanhas usaram sites com jornalistas fictícios e contas falsas na rede social X, impulsionadas por centenas de perfis que publicavam comentários com aparência de autoria humana. As ações tiveram como foco o Brasil, os Estados Unidos e a França.

Outra campanha, vinculada aos Emirados Árabes Unidos, mirou a Irmandade Muçulmana e especialistas das Nações Unidas críticos ao suposto papel de Abu Dhabi na guerra do Sudão. O Claude foi usado para produzir relatórios, publicações para redes sociais e depoimentos.

Aplicativos de relacionamento

Na China, um estúdio criou uma rede de mais de 20 aplicativos que diziam reunir pessoas reais, mas eram operados secretamente pelo Claude. Em apenas duas semanas de abril, a Anthropic identificou mais de 4.700 personagens de IA que interagiram com pelo menos 25 mil usuários reais e enviaram cerca de 2,36 milhões de mensagens.

Trabalhadores reais eram misturados aos robôs em uma proporção aproximada de uma pessoa para cada três personalidades de IA. Eles realizavam tarefas que o sistema não conseguia executar, como chamadas de vídeo.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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