A expansão das receitas da Copa do Brasil para o ciclo de 2027 a 2030 deve elevar os valores pagos aos clubes, mas também pode aumentar a pressão por despesas que não se sustentam financeiramente. A CBF informou que os direitos de transmissão da competição passarão a render cerca de R$ 1 bilhão por ano, além das receitas de patrocínio.
O modelo de distribuição também vale para a Libertadores e a Sul-Americana. As organizadoras arrecadam com direitos comerciais e repassam grande parte desse dinheiro conforme o desempenho esportivo. O avanço pelas fases define o valor recebido por cada equipe.
Essa lógica pode levar dirigentes a contratar jogadores, manter atletas e elevar a folha salarial sob a expectativa de que uma campanha mais longa compense os gastos. A pressão vem da torcida, da mídia e da política interna dos clubes. Na prática, porém, a premiação não cobre necessariamente o investimento feito para alcançá-la.
Três exemplos paulistas
O Corinthians aparece como um dos casos citados nesse debate. Se Memphis Depay tivesse convertido um pênalti nos minutos finais contra o Estudiantes, o clube poderia ter chegado à semifinal da Libertadores e recebido US$ 2,3 milhões, equivalentes a R$ 11,8 milhões no câmbio mencionado.
A eliminação foi acompanhada por críticas à permanência do atacante e por uma pichação nos muros do Parque São Jorge: “Fora Memphi$”. A diretoria de Osmar Stabile mudou de posição sobre a continuidade do jogador antes de voltar a defendê-la.
Na Sul-Americana, o São Paulo deixou de ganhar US$ 800 mil ao perder para o Boca Juniors. O Santos também teria recebido US$ 800 mil a mais se tivesse vencido o Atlético-MG. Cada valor corresponde a R$ 4,1 milhões.
As premiações ainda podem ser reduzidas por impostos e pagamentos variáveis aos atletas. Por isso, a avaliação é que o dinheiro adicional da Copa do Brasil deveria ser distribuído com atenção, priorizando a base da pirâmide em vez de estimular apostas imediatas no mercado de jogadores.








