Pink explicou nas redes sociais por que compartilhou uma publicação contra a apresentação de Macklemore durante a turnê de Ed Sheeran. A cantora, que nasceu em uma família judia, afirmou que sua reação não foi motivada pela defesa da Palestina nem pelo direito de o rapper usar a expressão Palestina Livre, mas pelo modo como ele tratou a relação entre suas declarações e os judeus.
A manifestação ocorreu após críticas e xingamentos nas redes sociais. Pink havia republicado uma postagem da conta StopAntisemitism que condenava a apresentação de Macklemore e pedia a retirada dele da turnê. Ela disse que o conteúdo original trazia afirmações que não foram escritas por ela e que nem todas seriam escolhidas em uma declaração própria.
No último fim de semana, Macklemore se apresentou em um show da turnê de Ed Sheeran, exibiu imagens de guerra nos telões e declarou apoio à Palestina em meio ao conflito entre israelenses e palestinos no Oriente Médio. Após o episódio, Pink ficou em silêncio por uma semana e depois publicou um longo texto no Instagram.
“Um repost não é uma declaração, e um meme não é coragem”, escreveu a cantora, ao admitir que reagiu à onda de críticas com memes sarcásticos e fingiu que estava tudo bem. Ela afirmou que prefere ser questionada por aquilo que realmente disse, e não ser atacada por palavras publicadas por outra pessoa.
As declarações de Pink
Pink afirmou que não fala em nome de Israel ou de qualquer governo. Também retomou uma declaração feita em outubro de 2023, segundo a qual o Hamas é uma organização terrorista. Ao mesmo tempo, disse que os palestinos merecem um futuro que respeite sua humanidade e suas aspirações.
A cantora declarou que proteger vidas inocentes deve ser prioridade e que ninguém deveria comemorar a morte de uma criança. Ela também mencionou seu trabalho como embaixadora da UNICEF durante uma década, voltado a crianças afetadas por conflitos, e afirmou ter acompanhado de perto as consequências da guerra para pessoas dos dois lados da barreira.
Pink disse que não pretende discutir uma guerra complexa em uma legenda do Instagram nem repetir slogans para recuperar seguidores. Segundo ela, o que a levou a compartilhar a publicação foram atitudes anteriores de Macklemore.
A artista contou que estava presente no Grammy de 2014, quando o rapper cantou “Same Love” durante uma cerimônia em que trinta e três casais, homossexuais e heterossexuais, se casaram ao som da música. Quatro meses depois, segundo Pink, Macklemore usou elementos que ela considerou uma representação antissemita e chamou aquilo de “fantasia aleatória”.
Ela disse que Macklemore pediu desculpas na ocasião e que decidiu deixar o episódio para trás. Para Pink, porém, a apresentação mais recente, com imagens violentas da guerra e uma fala dirigida aos judeus presentes no estádio, reabriu o assunto.
A cantora afirmou que não pediu o silenciamento do rapper, sua demissão ou reembolso. Disse apenas querer expressar, como mãe judia, que a situação a assustou e também assustou pessoas próximas a ela, sem que esse medo fosse tratado como propaganda ou como apoio ao genocídio.
Outras posições
Pink lembrou que já se posicionou sobre conflitos e causas sociais ao longo da carreira. Citou a música “Dear Mr. President”, lançada em 2006 durante a Guerra do Golfo, o apoio a jovens gays e trans, a defesa de suas famílias e a distribuição de livros proibidos.
Ela disse que agora está defendendo seu próprio povo e que essa decisão tem sido solitária. Também afirmou que não aceitará permanecer calada nem ensinar seus filhos a agir dessa forma. A cantora pediu que pessoas judias, muçulmanas, palestinas, israelenses ou cansadas do conflito sejam ouvidas, mesmo quando não concordarem com ela.
No fim da publicação, Pink mencionou o aniversário do 11 de setembro e o Rosh Hashaná, celebrado pelos judeus ao pôr do sol. Ela disse que prepararia o jantar para os filhos, acenderia velas e seguiria tradições familiares.
Macklemore também respondeu às críticas. O rapper afirmou que criticar o governo de Israel, o apartheid e o genocídio não representa um ataque ao povo judeu. Ele reiterou que sua mensagem é de paz, dignidade e igualdade e declarou: “Eu digo Free Palestine”.








