LOS ANGELES — Paul McCartney comparou o fim dos Beatles, em 1970, à perda do único emprego que havia tido. O músico falou sobre o período durante uma conversa com o diretor Judd Apatow após uma exibição de Man on the Run, documentário que aborda sua trajetória entre a separação do grupo e os anos do Wings. O cineasta Morgan Neville, responsável pela produção, também participou do encontro.
McCartney contou que precisou decidir qual seria seu caminho profissional depois de passar a vida adulta ao lado de John Lennon, George Harrison e Ringo Starr. “O que você faz depois dos Beatles? Os Beatles acabam, esse foi o único trabalho que você já teve e, então, você não o tem mais. É como se você tivesse sido demitido”, afirmou.
Mudança para a Escócia
A separação também afetou a rotina pessoal do músico. Ele se mudou para a Escócia e passou a beber em excesso enquanto tentava se adaptar à nova situação. McCartney descreveu o período como uma espécie de colapso mental e disse que os filhos e Linda McCartney foram importantes para que ele mudasse de comportamento.
O artista afirmou ainda que ficar sem a dinâmica dos Beatles foi especialmente difícil. “Acho que estar sozinho foi muito assustador, porque eu sempre tive a união do grupo”, disse. No começo, chegou a considerar a possibilidade de fazer músicas parecidas com as do quarteto e reunir outros músicos, mas abandonou essa ideia.
A resistência também apareceu nos shows. Produtores pediam que ele incluísse canções dos Beatles, como “Yesterday”, mas McCartney recusava. As músicas do grupo só voltaram ao repertório depois que sua nova fase se consolidou, especialmente com o sucesso de “Band on the Run”, do Wings.
Formação do Wings
O Wings surgiu em 1971, depois que McCartney assistiu a uma apresentação de Johnny Cash na televisão. Inspirado pela formação da banda do cantor, convidou Linda, sua esposa, para criar um grupo. Mesmo sem formação musical, ela aceitou, e os dois passaram a construir a experiência juntos, apesar das críticas recebidas.
Com o tempo, McCartney concluiu que não seria possível repetir no Wings a mesma organização dos Beatles. Embora quisesse atuar como apenas mais um integrante, percebeu que teria de liderar criativamente o novo grupo. A produção de Morgan Neville revisita esse processo entre 1970 e 1980, com imagens de arquivo e depoimentos em voz.








