Londrina, Quarta-feira, 30 de setembro de 2026
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Eduardo Bolsonaro promete mudanças no Itamaraty se Flávio vencer eleição

Ex-deputado afirma ter mapeado diplomatas e diz que servidores que sabotaram o governo Bolsonaro serão responsabilizados.

Eduardo Bolsonaro promete mudanças no Itamaraty se Flávio vencer eleição
Foto: Reprodução/Youtube

O ex-deputado Eduardo Bolsonaro prometeu promover uma “faxina” no Itamaraty caso seu irmão, Flávio Bolsonaro (PL), seja eleito presidente da República. Em publicação nas redes sociais, ele afirmou que fez pessoalmente um levantamento sobre embaixadores e diplomatas do Ministério das Relações Exteriores (MRE).

“O Itamaraty precisa de uma faxina urgente e nós vamos fazê-la”, escreveu Eduardo nesta quarta-feira, dia 30. Segundo ele, a medida teria o objetivo de impedir resistência de servidores às políticas que Flávio queira implementar.

Em um vídeo, Eduardo acusou diplomatas de terem sabotado políticas do governo de seu pai e afirmou que alguns teriam relatado essas ações ao jornalista Jamil Chade por se sentirem à vontade e serem retratados como heróis.

“Eu tive o trabalho pessoal de mapear todos os embaixadores e diplomatas do MRE”, disse. Ele também mencionou mudanças de postos e a atuação do governo de Luiz Inácio Lula da Silva na transição, quando determinados embaixadores teriam recebido prazo de uma semana para retornar ao Brasil.

Críticas a diplomatas

Eduardo afirmou que servidores envolvidos em ações contra o governo Bolsonaro serão monitorados. “Se você ajudou a sabotar o governo Bolsonaro preocupe-se de verdade, porque eu vou estar na tua cola”, declarou. Aos demais, disse que poderiam integrar uma equipe para recuperar a credibilidade do Itamaraty.

As declarações ocorreram após a divulgação de informações sobre o apoio prestado, em 2025, pelo então embaixador do Brasil em Madri, Orlando Leite Ribeiro, à mudança de Fábio Luis Lula da Silva, o Lulinha, e de sua mulher, Renata de Abreu Moreira, para a Espanha. Mensagens recuperadas no celular da lobista Roberta Luchsinger mencionaram ajuda na escolha de bairro, na busca por escolas e a participação de uma funcionária da embaixada.

Eduardo afirmou que diplomatas pagos pelo Estado atenderam a pedidos de Lulinha e declarou que, em caso de vitória de Flávio, Orlando Leite Ribeiro seria um dos primeiros a deixar o posto. Ribeiro é atualmente embaixador em Praga, na República Tcheca. Em Madri, a missão brasileira é chefiada pelo ex-chanceler Luiz Alberto Figueiredo.

Influência sobre o Ministério

Cassado pela Câmara e condenado pelo Supremo Tribunal Federal por coação, Eduardo Bolsonaro vive nos Estados Unidos e atua em eventos e movimentos ligados ao bolsonarismo no exterior. Ele também mantém interlocução com o governo Donald Trump e liderou uma campanha por punições a autoridades brasileiras, incluindo tarifas, cassação de vistos e sanções financeiras.

O ex-deputado planeja exercer influência sobre o MRE em uma eventual vitória eleitoral de Flávio. O candidato do PL tentou conter articulações de políticos e empresários preocupados com uma nova influência do irmão sobre o ministério.

Eduardo exerceu influência durante a gestão de Ernesto Araújo, quando presidia a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara. Também protagonizou embates com a China e mantinha uma agenda externa própria. Entre os nomes que colaboraram na elaboração das propostas de governo de Flávio estão Roberto Azevêdo, Marcos Troyjo e Marcos Degaut.

Aliados de Flávio também passaram a defender a senadora e ex-ministra da Agricultura Teresa Cristina para comandar o MRE. A indicação é apresentada como uma forma de aproximar o ministério da política e do agronegócio.

Em maio, durante uma visita de Flávio e Eduardo a Donald Trump em Washington, o gabinete do senador pediu apoio da embaixada brasileira, mas não foi atendido. Depois, Flávio classificou a atitude como “mesquinha” e acusou o órgão de “aparelhamento ideológico”.

Dentro da diplomacia, há temor de que um eventual governo de Flávio adote medidas semelhantes às conduzidas por Marco Rubio e Donald Trump no Departamento de Estado, com a retirada de servidores considerados não confiáveis e a ampliação do espaço para diplomatas mais novos.

Uma reforma desse tipo exigiria a aprovação de um projeto de lei para alterar a Lei do Serviço Exterior Brasileiro e acabar com a exclusividade da carreira nos principais postos de gestão da Secretaria de Estado. Também poderia voltar ao debate a PEC das Embaixadas, que trata da necessidade de renúncia ao mandato para políticos que desejem assumir embaixadas fora do país.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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