As principais emissoras de televisão dos Estados Unidos suspenderam a cobertura dos compromissos públicos do presidente Trump depois que a Casa Branca proibiu o acesso da CNN, da MS NOW e do site Politico. O bloqueio foi anunciado sob a alegação de que as empresas produzem “fake news”.
A interrupção começou no mesmo dia em que Trump chegou a Nova York para a Assembleia Geral da ONU e não tem prazo para terminar. Repórteres de texto, fotografia e rádio continuam acompanhando o presidente normalmente, mas o pool de televisão deixou de seguir suas agendas.
A CNN estava escalada para acompanhar Trump e produzir imagens dos compromissos em Nova York, com compartilhamento do sinal ao vivo com CBS, NBC, FOX e ABC. Após a revogação das credenciais da emissora, as demais empresas decidiram não acompanhar o presidente em solidariedade.
“A partir de hoje, o pool de TV não cobrirá eventos de cobertura compartilhada”, disse Bryan Boughton, executivo da Fox News e coordenador do grupo. Segundo ele, não haverá substituto para a CNN.
Como funciona o pool da Casa Branca
A decisão ocorreu depois que as três empresas barradas processaram a Casa Branca por violação da Primeira Emenda da Constituição americana. O sistema de rotação existe porque eventos e entrevistas no Salão Oval e no Air Force One têm espaço limitado, o que impede a presença de todos os veículos.
O press pool foi criado durante o governo Franklin Roosevelt (1933-1945). Os veículos que participam das agendas compartilham as informações obtidas com os demais integrantes antes da publicação. O modelo envolve televisão, mídia escrita, fotografia, rádio, agências de notícias e imprensa estrangeira.
A CNN lembrou que repórteres do pool estavam em Warm Springs, na Geórgia, quando Roosevelt morreu; em Dallas, quando John F. Kennedy foi assassinado; do lado de fora do Washington Hilton, quando Ronald Reagan foi baleado; e no Air Force One durante visitas secretas de George Bush, Barack Obama e Trump a zonas de guerra distantes.
Histórico de restrições
Em 2009, grupos de mídia credenciados anunciaram que abandonariam a cobertura quando o governo Obama tentou retirar a FOX News das entrevistas sobre o programa de compra de ativos podres após a crise financeira global. O governo recuou.
Trump já havia tentado retirar o acesso do repórter Jim Acosta, da CNN, à Casa Branca durante o primeiro mandato. Desde o retorno à Presidência, também retirou a organização do press pool das mãos da Associação de Correspondentes da Casa Branca e restringiu o acesso de repórteres da Associated Press, após o veículo se recusar a chamar o Golfo do México de “Golfo da América”. O caso está na Justiça.
O novo bloqueio foi anunciado nas redes sociais na última sexta-feira, sem um estopim claro, e os jornalistas foram impedidos de entrar no sábado. Após ser processado, Trump afirmou que seu governo não atacava a imprensa livre, mas as chamadas fake news. Para Jameel Jaffer, do Knight First Amendment Institute da Universidade de Columbia, seria esperado que o presidente tivesse aprendido com decisões judiciais contrárias a iniciativas semelhantes contra universidades e escritórios de advocacia.









