José Bonifácio de Oliveira Sobrinho, conhecido como Boni, afirmou que a demissão mais difícil de sua trajetória na Globo foi a de Dercy Gonçalves. A decisão ocorreu após interferências da censura durante a Ditadura Militar e diante do custo de manter o programa da humorista no ar.
Dercy comandava o programa de auditório “Dercy de Verdade”, exibido entre 1967 e 1970. A atração era transmitida ao vivo, mas a censura do governo militar determinou que os episódios fossem gravados. De acordo com Boni, a emissora registrava três horas de conteúdo e perdia uma hora ou mais com os cortes.
Com o aumento das intervenções, a Globo chegou a não ter material suficiente para levar o programa ao ar. Em setembro de 1969, a atração recebeu outra punição da Censura Federal: suspensão por 15 dias. Os censores apontaram suposto desrespeito aos artigos 12 e 18 do Decreto 61123, de 1° de agosto de 1969, que proibiam mudanças em programas já aprovados pela Censura.
Além dos cortes, a emissora enfrentava dificuldades financeiras. Boni disse que a Globo não conseguia sustentar a produção sem a exibição do programa e os respectivos patrocínios. “Não conseguimos resistir à questão financeira”, declarou.
Promessa de retorno
Ao comunicar a decisão, Boni afirmou ter dito a Dercy que a contrataria novamente assim que fosse possível. “Foi um momento extremamente dolorido da minha vida”, disse ele ao recordar o desligamento da humorista, que morreu em 2008, aos 101 anos.
A promessa foi cumprida em 1989, quando Dercy voltou à Globo para atuar na novela “Que Rei Sou Eu?”, de Cassiano Gabus Mendes. Ela interpretou a Baronesa Lenilda Eknésia.
A atriz também participou da minissérie “La Mamma”, em 1990, e da novela “Deus Nos Acuda”, em 1992. Ainda nos anos 1990, apareceu no “Domingão do Faustão”, no quadro “O Jogo da Velha”.








