O Ibovespa avançou 2% na semana, em retorno total em dólares, impulsionado principalmente pela alta de cerca de 12% no petróleo, segundo o Bank of America (BofA). O desempenho superou o da bolsa mexicana, que caiu 1,7%, e o do S&P 500, também com baixa de 1,7%. O índice de mercados emergentes subiu 1,7%.
O movimento do mercado brasileiro ocorreu em meio à retomada do fluxo estrangeiro. Investidores de fora venderam R$ 21 bilhões em ações no Brasil em agosto, com saída de R$ 18 bilhões em ações à vista. As vendas se concentraram sobretudo nos setores financeiro, de serviços básicos e de energia. No acumulado do ano, o saldo de entradas estrangeiras no mercado acionário brasileiro está em R$ 2 bilhões.
Fluxo externo muda em setembro
O BofA informou que os fluxos voltaram ao campo positivo no início de setembro. As entradas em ações à vista somaram cerca de R$ 6 bilhões no mês até agora. Fundos globais dedicados à América Latina receberam aproximadamente R$ 0,1 bilhão na semana, enquanto fundos de mercados emergentes excluindo a China tiveram entradas de US$ 0,3 bilhão.
O banco atribui parte desse movimento a uma rotação global para fora de regiões mais relacionadas ao tema de inteligência artificial e em direção a mercados classificados como “value”, com preços considerados atrativos. Na análise interna do Ibovespa, o grupo “Brazilian Magnificent 7”, formado por ações com viés de crescimento, teve desempenho morno. Já o “Unforgettable 7”, com viés de valor, subiu 1,2% na semana.
Apesar da melhora no capital estrangeiro, os fundos locais de ações continuam registrando resgates. Na semana passada, as saídas alcançaram R$ 1,2 bilhão, acima da média semanal de -R$ 0,1 bilhão observada no segundo trimestre.
O BofA elevou a recomendação para as ações brasileiras de marketweight, equivalente à exposição média do mercado, para overweight, que corresponde a uma exposição acima da média. A mudança foi associada à desaceleração da atividade econômica e à inflação menor, fatores que podem permitir um ciclo de afrouxamento monetário mais profundo.
Para Dalton Gardimam, economista-chefe da Ágora, setembro deve trazer mudanças de posicionamento e oscilações. A corretora avalia que a bolsa pode se valorizar com um ajuste fiscal em 2027, mas que a eleição deve provocar volatilidade.








