A Casa Branca passou a discutir com mais cautela os riscos da inteligência artificial, apesar da defesa de Donald Trump para que o desenvolvimento da tecnologia avance sem novos freios. Pessoas que conversaram com o presidente afirmam que a preocupação central é que uma desaceleração do boom da IA provoque uma queda do mercado e uma recessão nos Estados Unidos.
Trump chamou de “FARSA” o temor de que a inteligência artificial cause extinção em massa e criticou opositores de data centers. Investidores e executivos do Vale do Silício, entre eles David Sacks, Mark Zuckerberg e Jensen Huang, têm defendido que o maior risco para os Estados Unidos é perder espaço para concorrentes chineses.
Riscos discutidos no governo
Dentro do governo, porém, autoridades passaram a considerar mais prováveis ameaças que antes eram tratadas como exagero. Entre os riscos estão invasões de infraestrutura, ameaças biológicas, ataques a sistemas de comando e controle nuclear, perda de empregos e instabilidade financeira global.
A secretária de gabinete da Casa Branca, Susie Wiles, criou um grupo informal para avaliar os efeitos de modelos mais poderosos. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, é o principal integrante. O grupo também reúne especialistas conforme o assunto analisado. Wiles afirmou, em 6 de maio, que a tecnologia deveria ser implantada rapidamente, mas com segurança.
Bessent deve discutir segurança em IA com seu equivalente chinês em Nova York, durante a preparação da visita de Trump a Washington para um encontro com Xi Jinping, que começa na quarta-feira, 23. A proposta mais provável é criar um grupo de trabalho entre Estados Unidos e China. Ideias como padrões comuns de segurança e revisões dos modelos antes do lançamento dificilmente farão parte de um primeiro acordo.
Pressão por testes e supervisão
Executivos da indústria também passaram a defender mais cautela. Dario Amodei, um dos fundadores da Anthropic, propôs que o setor desacelere o lançamento de modelos e aceite inspetores independentes. Os produtos da empresa foram banidos pelo Pentágono, e Trump criticou Amodei.
Tom Brown, outro fundador da Anthropic, mantém conversas regulares com autoridades. Trump também falou com Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, da SpaceX. Os dois apoiaram, ao menos em termos gerais, a ideia de testar novos modelos em busca de vulnerabilidades e permitir avaliações externas.
Trump quer se reunir com executivos de IA na próxima semana, embora uma autoridade da Casa Branca tenha dito que o encontro ainda não estava na agenda. O presidente afirmou nesta semana: “Os robôs não vão dominar”.
Falta de coordenação
A Casa Branca não tem uma única autoridade responsável por coordenar a política de inteligência artificial. Marco Rubio, conselheiro de segurança nacional, raramente é citado nesse debate. O cargo de vice-conselheiro de segurança nacional para cibersegurança e tecnologias emergentes foi eliminado.
O diretor nacional de cibersegurança, Sean Cairncross, tem autoridade indireta sobre a IA. A Agência de Cibersegurança e Segurança de Infraestrutura, ligada ao Departamento de Segurança Interna, perdeu aproximadamente mil postos, cerca de um terço de sua força de trabalho, desde que Trump voltou à Casa Branca. A agência informou que está contratando cerca de 250 funcionários.
Trump associa a inteligência artificial ao crescimento econômico e afirmou que nada deveria impedir sua expansão. Em junho de 2024, discutiu com executivos da OpenAI a criação de uma iniciativa inspirada na “Operação Warp Speed” para acelerar a construção de data centers. Desde então, tem defendido o crescimento do setor e rejeitado medidas que possam reduzir o ritmo de implantação da tecnologia.








