A participação dos aeroportos na mobilidade por aplicativos revela funções diferentes para Viracopos, em Campinas, e Congonhas, em São Paulo. Entre janeiro e julho de 2026, 11% das corridas feitas por aplicativo em Campinas estiveram ligadas ao aeroporto. Em São Paulo, a parcela relacionada a Congonhas foi de 7,4%.
O peso maior de Viracopos na mobilidade local acompanha uma área de influência mais ampla. Do total de viagens associadas ao terminal, 97,9% conectaram municípios diferentes. Em Congonhas, o índice ficou em 21,6%, indicando uma circulação predominantemente dentro da própria dinâmica urbana da capital.
Júlia Camossa, estatística responsável pelo Data Machine, afirma que os aeroportos cumprem funções distintas no sistema de deslocamentos. “Enquanto Congonhas está inserido em um tecido urbano denso, com alta oferta de transporte e proximidade entre origem e destino, Viracopos depende de fluxos mais longos e dispersos”, diz.
Os sentidos das corridas também diferem. Nos dois terminais, há predominância de viagens com destino ao aeroporto, associadas ao deslocamento de passageiros para o embarque. Em Congonhas, elas representam 59,7%. Em Viracopos, a relação é mais equilibrada: 53,8% das corridas vão para o terminal e 46,3% saem dele.
A concentração por horário acompanha a operação dos voos. As viagens rumo aos aeroportos se acumulam na madrugada: 29,2% ocorrem entre 4h e 6h, com pico às 4h. No sentido contrário, os deslocamentos ganham força no fim da tarde e no início da noite, com 45,1% registrados entre 16h e 21h.
Durante a semana, as corridas para embarque se distribuem pelos dias úteis e atingem maior intensidade na terça-feira. As viagens que deixam os aeroportos têm pico na quinta-feira. O levantamento da Machine indica, assim, que Congonhas permanece integrado à estrutura urbana de São Paulo, enquanto Viracopos atende fluxos mais distribuídos entre municípios e atua como ponto regional de acesso ao transporte aéreo.








