A United Airlines alertou seus 28.000 comissários de bordo sobre o uso de trocas de viagens para obter pagamento sem realizar o trabalho correspondente. Em um memorando, a empresa classificou a prática como inadmissível e fraudulenta e afirmou que a violação pode levar à punição ou à demissão.
Os comissários têm períodos mínimos de descanso entre voos e viagens, definidos por regulamentações federais e acordos coletivos. Quando um atraso prolongado impede o profissional de cumprir uma viagem assumida para o período seguinte, as regras podem garantir uma folga sem redução salarial. Nesse caso, o pagamento da viagem pode ser mantido porque o atraso não estaria sob controle do tripulante.
A United permite que seus comissários troquem, entreguem ou assumam viagens por meio de um sistema interno. O mecanismo foi criado para dar mais controle sobre os dias de trabalho e permitir a busca por voos adicionais. O acordo coletivo negociado pela Associação de Comissários de Voo (AFA-CWA) também inclui regras de proteção salarial.
Como a troca em conflito ocorre
A prática apontada pela empresa começa quando um comissário está em uma viagem afetada por atraso contínuo, causado, por exemplo, por manutenção ou por restrições de espaço aéreo relacionadas ao mau tempo. Se não estiver escalado para o dia seguinte, ele pode assumir uma viagem disponível no sistema, embora não tenha a intenção de realizá-la.
O objetivo seria aproveitar o conflito com as 12 horas mínimas de descanso exigidas na base do profissional. Como o atraso ainda não foi atualizado no sistema, a troca pode ser aprovada. Depois da atualização, o comissário é retirado da viagem seguinte, mantém um dia extra de folga e continua recebendo como se tivesse trabalhado.
A empresa normalmente deve tentar realocar o profissional. Porém, se o conflito for registrado tarde demais, a equipe de escala pode não conseguir fazer a mudança. O memorando afirma: “Você deve ter a intenção e a capacidade de operar a viagem que está sendo recolhida ou trocada”. O documento acrescenta que esse princípio foi confirmado em casos de arbitragem e que a violação pode resultar em punição ou demissão.
A United também proíbe a venda de viagens ou dias de folga desejáveis a colegas. A empresa afirma que essa prática pode levar comissários veteranos a assumir viagens que não pretendem cumprir para depois negociá-las com profissionais mais novos.
A companhia criou um software para identificar trocas consideradas suspeitas. O sistema, porém, gerou controvérsia. Em junho passado, um ex-membro da tripulação demitido por comércio ilegal de viagens recebeu autorização para processar a empresa após uma longa disputa judicial.
Ben Schlappig avaliou que a prática depende da combinação entre a intenção do comissário, a evolução do atraso e a disponibilidade de viagens, o que poderia indicar que ela não é comum.








