Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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PF não identifica destino de R$ 6,2 milhões ligados a entidade de produtora

Associação comandada por Karina Gama recebeu R$ 6.175.273,64 de empresas que haviam obtido recursos de instituto ligado à empresária.

Dark Horse: Investigação não encontra destino de R$ 6 milhões recebidos por entidade ligada à produtora do filme

A Polícia Federal ainda não identificou o destino de cerca de R$ 6,2 milhões recebidos pela Academia Nacional de Cultura (ANC), entidade presidida por Karina Ferreira Gama, que também comanda a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”, dedicado a Jair Bolsonaro (PL).

A apuração foi autorizada pelo ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), em decisão relacionada à operação realizada na quinta-feira (10) contra o financiamento da produção. Os dados financeiros analisados pela investigação indicam que a ANC recebeu R$ 6.175.273,64 entre julho de 2024 e dezembro de 2025.

Os repasses partiram de quatro empresas que, no mesmo intervalo, haviam recebido dinheiro do Instituto Conhecer Brasil (ICB), também ligado a Karina Gama. As movimentações foram registradas em Relatórios de Inteligência Financeira produzidos pelo Coaf.

Diferença entre os valores

A investigação aponta uma discrepância entre os recursos que chegaram à ANC por meio de outras empresas e a movimentação informada pela própria associação. O relatório financeiro da entidade registra R$ 1,1 milhão entre maio de 2025 e maio de 2026, sendo R$ 565 mil em créditos e R$ 525 mil em débitos.

Para a PF, a diferença pode indicar a existência de outras contas bancárias não informadas ao Coaf. Flávio Dino também apontou, na decisão, a falta de correspondência entre os valores identificados em comunicações financeiras de terceiros e os dados oficiais associados à ANC, que não tem fins lucrativos.

A polícia investiga se houve desvio de recursos públicos para financiar “Dark Horse”, além do dinheiro privado relacionado a Daniel Vorcaro, do Banco Master. Flávio Bolsonaro (PL), candidato à Presidência, afirmou ter pedido recursos a Vorcaro para a produção. Dos cerca de R$ 130 milhões prometidos pelo ex-banqueiro, R$ 60 milhões teriam sido repassados.

A apuração considera a possibilidade de participação de verbas federais, por meio de emendas parlamentares do deputado Mario Frias (PL-SP), e de recursos municipais da Prefeitura de São Paulo.

Instituto e emendas

O ICB recebeu R$ 1 milhão em emendas de Mario Frias e firmou contrato de R$ 108 milhões com a Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi. A suspeita é que parte desses valores tenha circulado por empresas e entidades vinculadas a Karina Gama, entre elas a ANC e a Go Up Entertainment.

A Polícia Civil de São Paulo também apura o caso. Uma das linhas de investigação verifica se o ICB apresentou faturas e notas fiscais frias para justificar despesas pagas com dinheiro da prefeitura.

A ANC já havia aparecido em registros de emendas parlamentares destinadas a uma série sobre heróis nacionais. O projeto recebeu R$ 2,6 milhões indicados por Marcos Pollon (PL-MS), Bia Kicis (PL-DF), Carla Zambelli, então deputada pelo PL de São Paulo, e Alexandre Ramagem, que exercia mandato pelo PL do Rio de Janeiro.

Os recursos foram enviados em 2024 por meio de emenda Pix ao governo de São Paulo, com a ANC como destinatária final. A PF afirma que os valores indicados por Bia Kicis e Marcos Pollon não foram transferidos à associação pelo governo paulista por problemas normativos e técnicos na formalização da parceria.

Em 2025, Gil Diniz (PL), deputado estadual paulista, destinou R$ 200 mil à série documental “Heróis Nacionais – filhos do Brasil que não se rende”. O pagamento ocorreu em agosto daquele ano.

Outra frente examina se parte do dinheiro pago por Daniel Vorcaro foi enviada aos Estados Unidos para despesas de Eduardo Bolsonaro. O ex-deputado atua no exterior em busca de apoio do governo de Donald Trump contra a eleição de Lula (PT).

A defesa de Karina Gama declarou, no dia da operação, que ela colaborava voluntariamente com as autoridades. Os advogados disseram que a empresária entregou mais de 20 mil laudas de documentos após solicitação da PF.

Neste domingo (13), a defesa avaliou como positiva a retirada do sigilo da investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o filme. Em nota, afirmou que Karina Gama sustenta não ter cometido ilícito e que a divulgação completa dos fatos demonstrará sua inocência.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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