SÃO PAULO — A My Vintage Dress ainda tem mais de 300 noivas para atender até o fim do ano, afirmou a proprietária Camila Rossi. Em meio à crise no ateliê, ela pediu desculpas às clientes e disse que trabalha para manter as entregas dos vestidos.
A empresária atribuiu os problemas a um desvio que teria sido cometido por uma funcionária de confiança. O advogado Luiz Augusto Filizzola D’Urso estima que quase R$ 1 milhão tenha sido retirado do negócio, que funciona em Pinheiros, na zona oeste de São Paulo. O nome da funcionária não foi divulgado.
“Entendo o desespero, a preocupação de ter um momento tão especial chegando e você não saber se pode confiar ou não”, afirmou Camila. Ela também disse que a marca tem 14 anos e que nunca deixou de entregar os vestidos.
Investigação e atendimento às clientes
A empresária registrou um boletim de ocorrência com a acusação. A Secretaria da Segurança Pública informou que o 14º Distrito Policial, em Pinheiros, abriu inquérito para investigar possível estelionato.
Nos últimos dias, a loja concentrou o atendimento nas entregas que já estavam agendadas e interrompeu novas vendas. Camila afirmou que a decisão foi tomada para cumprir os compromissos assumidos. Segundo ela, a medida provocou especulações sobre o fechamento ou a falência da empresa, o que negou.
Clientes procuraram o estabelecimento na terça-feira, 1º, depois de relatarem dificuldades para retirar as peças e para falar com a loja. Letícia Queiroz contou que teve a retirada cancelada na segunda-feira, 31, e não conseguiu contato com a empresa. Nas redes sociais, ela afirmou que chegou a receber a possibilidade de uma entrega posterior ao casamento.
Na quarta-feira, 2, a My Vintage Dress informou que enfrentava dificuldades provocadas pelo volume de pedidos e por desafios na produção. A empresa anunciou o fechamento temporário para novas vendas.
Ação de despejo
Além da investigação, o ateliê é alvo de uma ação de despejo relacionada a débitos de IPTU de um imóvel alugado em Alto de Pinheiros. O advogado Sérgio Paulo Livovschi, que representa o espólio do proprietário, entrou com a ação na quinta-feira, 3. A dívida informada ultrapassava R$ 41 mil.
A empresa também declarou que, na segunda-feira, 31, mais de 50 pessoas entraram no estabelecimento sem autorização e levaram alguns vestidos. Outras peças teriam sido retiradas pela equipe por segurança. Depois, imagens da loja vazia foram divulgadas como se mostrassem o encerramento das atividades.








