Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
O Brasil em um ponto
Brasil

Médium de Brasília é acusada de falsificar cartas psicografadas

Famílias relatam erros e informações disponíveis na internet em mensagens atribuídas a pessoas mortas; Máira Rocha também é alvo de acusações policiais.

A advogada Máira Rocha, que atua como médium, é acusada por famílias de falsificar cartas psicografadas destinadas a pessoas em luto. Relatos apresentados neste domingo (6) apontam mensagens com erros e informações que estavam disponíveis na internet.

Máira trabalha no Ministério da Saúde e dirige a Casa da Caridade Inácio Daniel, centro espírita construído no início deste ano. O espaço recebe cerca de cinco mil pessoas por mês e oferece atividades assistenciais, como distribuição de alimentos, roupas e agasalhos. Também são realizados atendimentos espirituais e as chamadas cartas consoladoras, coordenadas pela própria médium.

As atividades são mantidas por doações de familiares que procuram o centro. O local também promovia leilões de roupas e objetos usados por Máira durante as sessões. A prática foi questionada por Jorge Godinho, presidente da Federação Espírita Brasileira. “A doutrina não nos autoriza, não nos ensina a realizar leilões, esse tipo de prática”, afirmou.

Famílias relatam suspeitas

Marina Escames procurou Máira após a morte do marido, com o objetivo de receber uma mensagem e ajudar o filho. Antes da psicografia, ela forneceu dados pessoais ao centro, incluindo nomes completos, CPF, informações sobre a morte e uma fotografia.

Marina reconheceu na carta detalhes da convivência com o marido e inicialmente acreditou que a mensagem fosse dele. A suspeita surgiu depois que o filho mais velho consultou antigas redes sociais do pai e encontrou semelhanças entre as informações publicadas e o conteúdo da carta. “Mãe, olha, tá tudo aqui!”, relatou o jovem.

Marcela Magalhães também passou a questionar uma mensagem atribuída ao filho Henrique, que morreu aos 18 anos em um acidente de carro. Em uma transmissão ao vivo, Máira disse que ele era um jogador de futebol. Marcela afirmou, porém, que o filho nunca havia sido jogador profissional. Depois, encontrou uma reportagem sobre a morte dele com a mesma informação incorreta.

O escritor e pesquisador espírita Pedro Camilo disse que os dados fornecidos antes das sessões podem ser usados para localizar informações sobre as famílias na internet e elaborar dossiês. Godinho comparou o procedimento com o trabalho de Chico Xavier, que, segundo ele, não recebia previamente dados como CPF ou endereço das pessoas.

Acusações e investigações

Máira tem registros policiais em pelo menos cinco estados por acusações de estelionato, calúnia, difamação e ameaça. Sete lideranças espíritas assinaram um manifesto e apresentaram notícia-crime por estelionato, charlatanismo e possível violação do artigo 232 do Estatuto da Criança e do Adolescente.

O Ministério Público analisa ainda acusações de apropriação indébita, desvio de recursos e manutenção de uma rede de influência com servidores públicos. Para o advogado criminalista Luiz Henrique Machado, o caso envolve a possibilidade de instrumentalização da fé para obter informações e entregar cartas psicografadas falsas.

Máira foi procurada, mas não aceitou gravar entrevista.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5