RIO — João Munhoz Neto, namorado de Isabelle Caracristi, de 22 anos, foi preso preventivamente e é investigado por suspeita de induzimento ao suicídio e obstrução da Justiça. A defesa afirma que tentam simular um feminicídio.
A morte da jovem aconteceu por “precipitação voluntária”, informou Júlio Torres, chefe da Perícia Forense do Ceará (Pefoce), na manhã desta quarta-feira, 23. O laudo cadavérico apontou politraumatismo, com lesões compatíveis com o impacto contra o solo. A necropsia não constatou gravidez.
O que diz a lei
O crime de induzimento, instigação ou auxílio a suicídio ou a automutilação está previsto no artigo 122 do Código Penal. Quando o suicídio se concretiza, a pena é de reclusão de dois a seis anos.
A punição pode ser duplicada nas hipóteses previstas no parágrafo 3º: quando o crime é cometido por motivo egoístico, torpe ou fútil, ou quando a vítima é menor ou tem reduzida, por qualquer causa, a capacidade de resistência. Neto também é investigado por suposta obstrução da Justiça.
A prisão ocorreu na terça-feira, 22. A apuração é conduzida pelo Grupo Especial de Investigação (GEI), formado por equipes da 2ª Delegacia de Polícia Civil da Capital, da 2ª Delegacia de Defesa da Mulher de Fortaleza e do Departamento de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP).
Relatos da família e perícia
Segundo a família, Isabelle conheceu Neto em julho, quando começou a estagiar no escritório de advocacia onde ele trabalhava. Eduardo Magalhães, irmão da jovem, disse que parentes perceberam mudanças no comportamento dela. A mãe, Isorlanda Caracristi, teria questionado a filha, que relatou comportamentos tóxicos no relacionamento.
Magalhães afirmou que Neto não gostava que Isabelle saísse sozinha para comprar comida durante o estágio e enviava dezenas de mensagens quando ela estava com a família. “A Isabelle não tinha a oportunidade de ficar com a família sem que estivesse sendo rastreada pelo próprio namorado”, disse.
A Pefoce periciou o apartamento, o terraço do prédio e o local onde o corpo caiu, na mesma noite da ocorrência. A jovem foi reconhecida no condomínio por outras pessoas que moravam no apartamento, que apresentaram um documento de identificação.
Onde buscar ajuda
O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece apoio emocional gratuito 24 horas por dia por e-mail, chat no site ou telefone 188. O Canal Pode Falar, iniciativa do Unicef, atende adolescentes e jovens de 13 a 24 anos pelo WhatsApp, de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h.
Os Centros de Atenção Psicossocial (Caps), unidades do Sistema Único de Saúde (SUS), atendem pessoas com transtornos mentais. O Mapa da Saúde Mental reúne unidades de saúde e iniciativas gratuitas de atendimento psicológico presencial e online, além de materiais de orientação.








