SÃO PAULO — Um incêndio atingiu, na noite deste sábado, 5, um galpão da Ceagesp com 320 boxes e deixou dezenas de comerciantes com prejuízos. A estrutura foi danificada e recebeu um laudo de interdição temporária. A Defesa Civil informou que não houve vítimas e que o local permaneceu isolado, sinalizado e com acesso restrito.
O espaço reunia mais de 100 permissionários, principalmente quiosques de frutas, além de dois restaurantes e lojas de embalagens. Os escritórios dos estabelecimentos ficavam em um mezanino construído sobre os boxes. Na manhã deste domingo, 6, comerciantes foram ao galpão para avaliar os estragos e procurar o que restou de mercadorias, equipamentos e documentos.
O Corpo de Bombeiros mobilizou 16 viaturas. O fogo começou pouco depois das 23h e foi controlado por volta das 6h deste domingo, 6. O rescaldo terminou às 8h34. As causas ainda são desconhecidas e passam por perícia.
Entre os comerciantes afetados está Emílio Katsuki, de 69 anos, que trabalha na Ceagesp desde 1987 e mantinha uma loja de frutas no local havia pelo menos uma década. O filho dele, Enzo Katsuki, de 23 anos, também trabalhava no negócio. Maria Helena, que mantém um box há 30 anos, havia recebido uma carga de melão no dia anterior. “Perdemos tudo. O box estava cheio de mercadoria. Não sabemos como vamos trabalhar”, afirmou.
Segundo Maria Helena, apenas o estoque representava cerca de R$ 300 mil, sem incluir os equipamentos. Ela emprega 12 funcionários. Marcio Neto, que está há mais de 40 anos na Ceagesp e herdou do pai uma loja de embalagens, afirmou que o prejuízo está na casa dos milhões após reforçar o estoque para o restante do ano.
Aldemir Soares, comerciante no local há mais de 15 anos, relatou perdas de espaço, equipamentos e estoque. Um empresário que presta serviços a mais de 100 comerciantes estimou que os danos ultrapassem R$ 40 milhões. Marcela Costa calculou em cerca de R$ 250 mil o prejuízo no escritório recém-reformado de sua loja de cocos.
Reclamações sobre manutenção
Comerciantes afirmaram que o galpão apresentava problemas elétricos e que a direção do Ceasa havia sido avisada diversas vezes. Um deles, sem identificação, disse que a fiação estava danificada e citou um apagão ocorrido durante o Natal do ano passado. Marcela Costa relatou que, cerca de dez dias antes do incêndio, uma caixa de energia perto do mezanino fazia barulhos de “papoco”. Segundo ela, a direção da Ceagesp foi avisada, mas enviou alguém para verificar o problema apenas no dia seguinte.
José Aires, de 51 anos, que trabalha no local há 14 anos, perdeu mercadorias e equipamentos de refrigeração, incluindo câmaras de armazenamento. “Estamos à deriva”, disse. Ele ainda não calculou o prejuízo total.
Relatos de comerciantes indicam que um caminhão-pipa da própria Ceagesp teria sido usado antes do acionamento do Corpo de Bombeiros. A avaliação deles é que a demora contribuiu para a propagação das chamas. A direção do Ceasa havia marcado uma reunião para este domingo para discutir um espaço provisório. Uma das alternativas seria trabalhar nas ruas diante do galpão, proposta criticada pelos permissionários.
Ceasa e Ceagesp foram procurados por telefone e e-mail para comentar as denúncias, a manutenção e a possibilidade de trabalho provisório, mas não responderam até a publicação.








