PARIS — Autoridades francesas investigam suspeitas de assédio sexual envolvendo óculos inteligentes equipados com câmera. A apuração começou depois que vídeos de mulheres filmadas na rua, sem autorização, foram divulgados e ganharam alcance nas redes sociais. A marca e o modelo do dispositivo não foram informados.
As gravações teriam sido feitas por uma lente instalada em uma das hastes dos óculos. O caso levou a debates sobre privacidade e motivou o Ministério Público de Paris a analisar possíveis infrações associadas ao uso dos acessórios.
Denúncias no ambiente de trabalho
A unidade de investigação de crimes cibernéticos da Promotoria informou que testou diversos modelos de óculos com câmera nas últimas semanas. O objetivo foi identificar condutas que podem configurar infrações.
Além das ocorrências em espaços públicos, aumentaram as denúncias sobre o uso indevido dos equipamentos em ambientes profissionais. Pelo menos 10 reclamações foram encaminhadas recentemente à Comissão Nacional de Informática e Liberdades da França (CNIL).
As queixas envolvem o registro de pessoas, conversas e informações sensíveis por câmeras e microfones dos dispositivos. Com a expansão dos óculos inteligentes no ambiente corporativo, empresas têm procurado a CNIL para saber se podem proibir o uso desses equipamentos no trabalho.
A legislação francesa prevê até um ano de prisão e multa de € 45 mil (R$ 265 mil pela cotação atual) para quem gravar terceiros sem autorização em locais privados. A Promotoria, porém, afirma que a aplicação da regra enfrenta dificuldades, especialmente pela velocidade com que os vídeos se espalham pelas redes sociais.
Ines Girard, que lidera a organização feminista Hubertine Auclert, afirmou que as empresas de tecnologia ainda adotam poucas medidas para evitar abusos. Para ela, não é suficiente transferir às pessoas filmadas a responsabilidade de se protegerem de uma tecnologia de vigilância.
O debate sobre usos abusivos dos óculos inteligentes também ocorre em outros países. Na Noruega, o governo planeja proibir o dispositivo em espaços públicos.








