Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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É falso documento que isenta Nikolas e Vorcaro de indícios de crime

A Polícia Federal negou ter produzido o documento, que apresenta sinais de geração por inteligência artificial e circulou nas redes.

É falso documento em que PF diz não ver crime em mensagens de Nikolas e Vorcaro
Foto: Reprodução/OpenAI

Não é verdade que a Polícia Federal tenha afirmado, em relatório, não haver indícios de crime nas conversas do deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) com o banqueiro Daniel Vorcaro, do Banco Master. A corporação negou ser autora do documento compartilhado nas redes sociais pelo parlamentar e por seus apoiadores. Além disso, a ferramenta de verificação da OpenAI apontou que o conteúdo foi produzido por modelos de inteligência artificial.

Publicações que reproduziam o documento falso somavam ao menos 500 mil visualizações no X nesta quinta-feira (3).

Documento falso apresenta inconsistências

Não é verdadeiro o arquivo atribuído à Polícia Federal que afirma que as mensagens trocadas por Nikolas Ferreira e Daniel Vorcaro não apresentariam indícios de crime e revelariam apenas “contato de natureza pessoal e profissional entre os interlocutores”.

A Polícia Federal declarou nesta quinta-feira (3) que o documento é falso. A instituição destacou que não criou nem a imagem nem o conteúdo da página que circula nas redes sociais.

Além disso, a imagem foi enviada à ferramenta de verificação da OpenAI, que identificou a presença de SynthID. Trata-se de uma marca d’água digital incorporada a conteúdos gerados ou editados com inteligência artificial e desenvolvida para continuar identificável mesmo depois de alterações no arquivo.

A OpenAI confirmou que a presença do SynthID mostra que houve algum tipo de manipulação com ferramentas de inteligência artificial.

O documento também traz inconsistências que podem estar relacionadas a erros na produção de conteúdo sintético, entre elas:

  • O emblema da Polícia Federal exibido na imagem não é igual ao oficial. Na versão original, as fitas têm contornos e dobras mais definidos, além de um desenho um pouco diferente do que aparece no documento falso;

  • Outra divergência está no acento agudo da palavra ‘Polícia’. No emblema original, ele é trocado por um triângulo;

  • A sequência numérica dos itens não obedece a uma ordem lógica: passa de 7 diretamente para 7.3, sem incluir 7.1 e 7.2;

  • Existem erros de português, como a expressão “contato salvado”, em vez de “contato salvo”;

  • As datas também não são coerentes. O documento teria sido elaborado no mesmo dia da extração dos dados, no dia 18, um dia depois da prisão de Daniel Vorcaro;

  • A montagem emprega elementos e nomes que não costumam fazer parte de documentos oficiais da Polícia Federal, como emojis e a expressão “Relatório de Análise de Dados”.

Nikolas foi mencionado nesta quinta-feira (3) em reportagens que divulgaram mensagens e áudios nos quais o deputado solicita ajuda a Vorcaro para liberar “um ativo de minério” em março de 2025. Em outro trecho, o ex-dono do Master afirma que “bancou todos os voos” do deputado.

Em um vídeo publicado depois da divulgação das reportagens, Nikolas negou ter proximidade com o ex-banqueiro e afirmou que as mensagens não mostram nada relevante. O próprio deputado publicou o documento falso em seus stories no Instagram.

A assessoria do deputado afirmou que ele não sabia que o documento era falso e que republicou o material divulgado originalmente por outro portal.

A legislação brasileira prevê punições para a falsificação de documentos e de símbolos de órgãos públicos. O Código Penal estabelece pena de dois a seis anos de reclusão, além de multa, para quem falsifica, total ou parcialmente, um documento público. A mesma punição vale para quem falsifica ou utiliza de forma indevida marcas, logotipos, siglas ou outros símbolos usados para identificar órgãos da administração pública.

Ainda assim, a definição da responsabilidade pela montagem depende da análise das circunstâncias em que ela foi produzida e divulgada, além da identificação do verdadeiro autor da fotografia do documento falso.

Colaboraram Luiza Vezzá e Giovanna Massaro

O caminho da apuração

Inicialmente, a imagem foi encaminhada à ferramenta de verificação da OpenAI, que confirmou a manipulação com uso de inteligência artificial. Depois, foi feita uma análise das inconsistências presentes na imagem do documento.

Na sequência, a Polícia Federal foi procurada e confirmou que a imagem não havia sido produzida pela corporação.

A assessoria de Nikolas Ferreira também foi procurada.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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