O Corinthians suspendeu o pagamento da terceira parcela de 2026 do refinanciamento da Neo Química Arena após chegar a um acordo com a Caixa Econômica Federal. As partes negociam uma nova solução para a dívida do estádio, estimada atualmente em R$ 630 milhões.
A parcela, de aproximadamente R$ 27 milhões, venceu no último dia 25 de setembro e teve a cobrança interrompida enquanto as tratativas continuam. O clube apresentou ao banco uma proposta para que a Caixa assuma os naming rights da Arena e use o valor da operação na composição de um acordo para quitar o débito.
Atualmente, os direitos de nome do estádio pertencem à Hypera Pharma, em contrato firmado em 2020. Caso a negociação com a Caixa avance, o Corinthians pretende oferecer à empresa os naming rights de outras instalações, como o CT Dr. Joaquim Grava, numa tentativa de manter a parceria comercial.
Produtos incluídos na negociação
A proposta também envolve outros produtos e ativos financeiros. Entre as possibilidades estão o lançamento de títulos de capitalização, a transferência para a Caixa das operações financeiras do clube — incluindo contas e pagamento de salários — e a criação de cartões vinculados ao programa Fiel Torcedor.
O Corinthians ainda pediu a devolução de R$ 27 milhões mantidos em uma conta reserva prevista no contrato de renegociação firmado em 2022. Como considera estar adimplente com as parcelas, a diretoria pretende usar o valor no fluxo financeiro do dia a dia.
Em caso de inadimplência, a Caixa poderá recorrer à conta reserva. O fundo ligado ao estádio precisa manter saldo mínimo equivalente ao pagamento de quatro parcelas trimestrais do financiamento. Esse montante varia entre R$ 80 milhões e R$ 120 milhões, conforme o nível da taxa de juros.
Dívida e pagamentos
A dívida da Arena corresponde a cerca de 22,5% do endividamento total do Corinthians, estimado em R$ 2,8 bilhões. O contrato firmado em 2022 prevê a quitação do débito em dezembro de 2041, com juros de 2% ao ano acrescidos da variação do CDI.
Em 2026, o clube pagou duas das quatro parcelas anuais e desembolsou aproximadamente R$ 56 milhões dos cerca de R$ 115 milhões previstos para o ano. A próxima parcela vence em dezembro.
Os pagamentos do novo acordo começaram em 2023. Em 2023 e 2024, o Corinthians quitou apenas os juros relativos ao período em que deixou de pagar o financiamento original, assinado em 2013. Foram pagas oito parcelas trimestrais, relacionadas aos cinco anos de inadimplência.
A amortização do refinanciamento, estimado em cerca de R$ 700 milhões sem considerar os juros, começou em 2025. Naquele ano, o clube desembolsou aproximadamente R$ 93 milhões. O balanço financeiro de 2025, divulgado em abril, apontou saldo devedor estimado em R$ 642 milhões em 31 de dezembro de 2025.









