ANAHEIM — Uma armadura de metal de aproximadamente 40 quilos e uma caracterização de Zalatath marcaram a presença brasileira na BlizzCon 2026. Kayo Pantoja, conhecido como KMaker, chegou à final do concurso de cosplay; Marina “Doorna” também subiu ao palco da Community Night.
A apresentação ocorreu diante de cerca de 8.000 pessoas em Anaheim e foi transmitida pela internet para quase um milhão de espectadores. A participação só se tornou possível em 2026, depois de uma mudança nas restrições relacionadas às leis locais e ao recebimento de prêmios.
A armadura feita por Kayo
Ferreiro, cosplayer e criador de conteúdo, Kayo mora em Portugal e produziu a própria armadura de metal para representar um soldado da Aliança. O conjunto incluía o capacete e foi levado à Califórnia em duas caixas grandes. A cota de malha seguiu na bagagem de mão, enquanto duas malas foram danificadas no transporte pelo aeroporto.
Kayo acumula cerca de 15 anos de experiência com cosplay e trabalha como ferreiro há 7 anos. O interesse pela fabricação de armaduras cresceu depois que ele se mudou para São Paulo e conheceu o Buhurt, esporte de combate medieval com equipamentos reais.
A escolha do traje também levou em conta a possibilidade de transformar o desenho em uma peça funcional. O cosplayer explicou que um projeto de metal precisa ter encaixes, partes funcionais e proporções capazes de ser reproduzidas no mundo real.
Esta foi a segunda BlizzCon de Kayo. Em 2016, ele havia sido convidado pela Blizzard para participar do evento de cosplay usando uma armadura de Illidan. Em 2026, competiu na categoria Armories & Artifacts, voltada a técnicas de fabricação e fantasias de grande escala.
Embora não tenha vencido, Kayo se tornou o primeiro brasileiro finalista do concurso. Durante o desfile, disse que sua maior preocupação era não cair e não passar vergonha. Para ele, a participação representou a realização de um sonho ligado à trajetória com Warcraft e à Blizzard.
Marina assume o papel de Zalatath
Marina criou o canal Café em Suramar, dedicado ao universo de World of Warcraft, e faz cosplay desde 2017. Para a BlizzCon, escolheu Zalatath, personagem que exigiu tanto a produção do traje quanto a interpretação de uma personalidade diferente da sua.
As peças de armadura foram modeladas no Blender, impressas em TPU e acabadas à mão. O tecido recebeu bordados e costuras feitos manualmente. Marina também precisou incorporar características de sátira e disforia associadas à personagem durante a apresentação.
A participação de 2026 foi a segunda BlizzCon de Marina, mas a primeira como competidora. Ela não chegou à final, porém participou da Community Night. A ansiedade aumentou antes da entrada, com preocupações sobre o momento de entrar, permanecer e deixar o palco. Depois, a reação do público e as luzes fizeram a experiência ganhar outro significado.
Marina afirmou que a presença de espectadores familiarizados com Zalatath tornou a convenção diferente de outras que frequentou. Segundo ela, pessoas interagiam com a personagem, faziam brincadeiras e pediam fotos.
A mudança nas regras
As regras do Cosplay Contest determinam que a participação e o recebimento de prêmios não podem violar as leis aplicáveis dos Estados Unidos e do país de origem do competidor. Ressalvas da legislação brasileira sobre prêmios pagos por empresas estrangeiras fizeram a Blizzard impedir a inscrição de brasileiros em edições anteriores.
Kayo contou que antes seria possível competir representando outro país, alternativa relacionada ao fato de morar em Portugal. Marina associou a mudança à compra da Blizzard pela Microsoft, mas apresentou a avaliação como uma possibilidade.
Com a alteração válida em 2026, os dois puderam competir representando o Brasil. Kayo disse esperar que outros brasileiros participem das próximas edições. Marina afirmou que pretende trabalhar para retornar à BlizzCon.







