Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Apoio evangélico a Augusto Cury amplia disputa pelo voto cristão

Influenciadores e lideranças defendem voto por convicção, enquanto setores bolsonaristas associam o candidato à esquerda.

Como Augusto Cury mobiliza evangélicos nas redes e incomoda o bolsonarismo
Foto: Lima Andruška/Wikimedia Commons

A candidatura de Augusto Cury ganhou espaço entre influenciadores e lideranças cristãs, sobretudo no campo da direita, e passou a ser alvo de reação de setores bolsonaristas. O movimento defende o chamado voto com propósito e apresenta Cury como um candidato cristão, bem-sucedido fora da política e sem interesse em obter poder ou ganhos financeiros por meio de um cargo público.

O avanço aparece em levantamentos recentes. No BTG/Nexus, Cury passou de 2% para 11% das intenções de voto entre as duas últimas rodadas. Na AtlasIntel, subiu de 3% para 7,8%. A Quaest registrou 10%, enquanto o Datafolha apontou 8% e colocou o candidato em terceiro lugar, atrás de Lula, com 38%, e Flávio Bolsonaro, com 33%.

A movimentação nas redes evangélicas já vinha ocorrendo antes da divulgação desses resultados. O relatório Narrativas Evangélicas e Contexto Eleitoral, produzido pela Casa Galileia em parceria com o Instituto Democracia em Xeque, identificou o fenômeno ao analisar publicações feitas entre 17 e 30 de agosto. O estudo acompanha a circulação de discursos nas áreas de contato entre religião e política no ambiente evangélico.

Entre os conteúdos favoráveis, Cury é descrito como alguém guiado por propósito, virtude e serviço. Uma publicação do influenciador Raphael Soares em defesa do voto no candidato alcançou 1,4 milhão de interações. A pastora Fabiola Melo, que tem mais de 3 milhões de seguidores, também declarou apoio. Em resposta a uma seguidora, afirmou que Cury é crente e defendeu a escolha por convicção, e não pelo medo, no primeiro turno.

Portais evangélicos recuperaram a trajetória de Cury como ex-ateu que teria se tornado um cristão sem fronteiras após estudar a mente de Cristo. Também circularam mensagens que trataram sua entrada na política como um envio divino e classificaram como milagrosas mudanças rápidas na intenção de voto de eleitores de diferentes campos.

Apoio político e reação bolsonarista

Pablo Marçal declarou voto em Cury e associou o sobrenome do candidato à cura do Brasil. Marçal destacou como pontos em comum o desejo de servir ao país e o sucesso profissional, argumento usado para dizer que nenhum dos dois teria interesse em se beneficiar da máquina pública. Em uma publicação conjunta, chamou Cury de homem nobre; o candidato agradeceu e disse que sua candidatura nasceu de um propósito.

Marçal também defendeu o voto em Cury no primeiro turno, mesmo diante da avaliação de que candidaturas alternativas poderiam beneficiar Lula. Para ele, essa etapa permite ao eleitor escolher quem considera mais próximo de suas convicções. Segundo essa argumentação, candidaturas de direita poderiam ter bom desempenho inicialmente e, em uma eventual segunda rodada, convergir em oposição ao governo atual.

Setores bolsonaristas do campo evangélico passaram a apontar Cury como ligado a um partido que esses perfis consideram aliado ao PT. A candidatura foi associada à esquerda e descrita como um possível cavalo de Troia, sob a alegação de que esconderia posições diferentes das percebidas por parte do público cristão.

A defesa da pacificação e da união também foi usada para contestar a virtude atribuída ao candidato. Trechos de livros de Cury foram recuperados nas críticas. O pastor Wesley Ros publicou um desabafo como ex-admirador e ex-leitor e reproduziu uma passagem de Dez leis para ser feliz na qual o autor elogia o choro de Lula durante um discurso em 2013.

Nesse campo de reação, Flávio Bolsonaro aparece como a alternativa considerada mais viável para derrotar Lula. A disputa opõe, de um lado, a defesa do voto por convicção e dos valores cristãos associados a Cury; de outro, a prioridade à viabilidade eleitoral e os questionamentos sobre a posição política e a dimensão religiosa de sua candidatura.

O relatório registra que a eleição de 2026 é atravessada por diferentes interpretações sobre os valores que deveriam orientar o voto cristão. A candidatura de Cury mobiliza propósito, virtude, serviço e convicção, enquanto seus críticos contestam sua legitimidade política e religiosa a partir de suas posições sobre pacificação e união.

O movimento também tensiona a associação automática entre voto evangélico e bolsonarismo. Muitas lideranças religiosas e influenciadores cristãos que apoiaram Jair Bolsonaro em 2022 ainda não haviam se manifestado nesta eleição. O voto com propósito pode oferecer uma posição menos radical a lideranças que apoiaram o bolsonarismo e depois foram cobradas em igrejas e comunidades digitais por sua associação com pautas armamentistas e antidemocráticas.

A análise é assinada por Andréa Laís, que atua na área de campanhas da Casa Galileia e pesquisa religião após concluir doutorado em Ciências Sociais, e por Lorena Mochel, antropóloga ligada à pesquisa da instituição e pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ).

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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