Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
O Brasil em um ponto
Tecnologia

Journaling pode ajudar a organizar pensamentos; veja formas simples de começar

Prática inspirada em diários de videogames permite registrar emoções, refletir sobre experiências e acompanhar mudanças sem regras fixas.

Journaling pode ajudar a organizar pensamentos; veja formas simples de começar

O journaling é uma forma de registrar pensamentos, sentimentos, experiências e ideias sem depender de um modelo único. A prática pode ser feita no papel, em um aplicativo ou em um documento no computador, desde que o formato seja acessível e ofereça privacidade e conforto.

A psicóloga e youtuber Lisa Guerra relaciona o hábito aos diários presentes em videogames. Em títulos como Uncharted, Red Dead Redemption 2 e Life is Strange, esses registros não servem apenas para guardar informações: também revelam aspectos da personalidade dos personagens, mostram mudanças e ajudam a acompanhar a jornada deles.

Mais do que contar o que aconteceu

A escrita pode partir de um acontecimento do dia, mas o journaling abre espaço para uma reflexão adicional: como aquela situação afetou a pessoa. A BBC descreve possibilidades que vão da escrita sobre sentimentos e experiências ao free writing, formato em que se escreve continuamente sem preocupação com julgamento, perfeccionismo ou edição.

Também existem registros voltados à gratidão, à expressão artística e à análise de situações específicas. Em alguns casos, a página pode reunir textos, desenhos, fotos ou imagens. Não há exigência de que o resultado seja bonito, profundo ou bem organizado.

Nos jogos, os diários cumprem funções semelhantes. As anotações de Nathan Drake, em Uncharted, ajudam a mostrar seu humor e sua curiosidade. Já os registros de Arthur Morgan, em Red Dead Redemption 2, apresentam uma dimensão mais íntima do personagem. Em The Witcher 3, Baldur’s Gate 3 e Elden Ring, sistemas de acompanhamento ajudam a lembrar acontecimentos, personagens e objetivos.

Registro de pensamentos e autopercepção

Lisa Guerra conta que começou a fazer journaling para lidar com o que chama de “excesso de pensamento” e complementar o processo realizado em terapia. A proposta não é encontrar uma resposta para cada problema enquanto se escreve. Transformar uma sensação difusa em palavras pode criar distância e facilitar a observação do que está acontecendo.

A prática também pode ajudar algumas pessoas a analisar preocupações por outro ângulo, refletir sobre decisões e reconhecer padrões. A Universidade Curtin, em material publicado em agosto de 2026, aponta usos relacionados ao processamento de pensamentos, ao manejo do estresse, ao acompanhamento de objetivos e ao desenvolvimento da autopercepção.

O journaling, porém, não é terapia. A escrita pode aparecer como ferramenta em determinados contextos psicológicos e terapêuticos, mas manter um diário por conta própria não substitui acompanhamento profissional quando ele é necessário.

Lisa Guerra aproxima a prática do registro de pensamentos usado na terapia cognitivo-comportamental. A proposta é observar uma situação, identificar o pensamento automático relacionado a ela e reconhecer a emoção envolvida. Assim, escrever “estou cansado” pode ser apenas o ponto de partida para perceber frustração, preocupação, culpa ou outros sentimentos associados.

Possíveis benefícios e limites

A BBC e a Universidade Curtin citam possíveis relações entre journaling, reflexão, organização de pensamentos, gerenciamento de situações estressantes, definição de objetivos e autoconhecimento. Pesquisas também analisam a ligação entre a escrita sobre emoções, a atividade cerebral e a regulação emocional.

Essas informações não significam que escrever sozinho resolverá problemas de saúde mental. Os efeitos não são garantidos nem necessariamente iguais para todas as pessoas. Reler registros antigos, por outro lado, pode ajudar a perceber mudanças, identificar padrões e notar que uma preocupação ou interpretação se modificou com o tempo.

Como começar sem transformar a prática em obrigação

Lisa Guerra recomenda abandonar a ideia de que um diário precisa ser sofisticado. A Universidade Curtin indica que cinco minutos podem bastar para iniciar, enquanto a psicóloga sugere três minutos ou um único parágrafo. O objetivo é encontrar uma forma compatível com a rotina, sem criar uma nova cobrança.

Um bloco de notas, o Google Docs, o Notion, o Day One e o Diarium são algumas opções. O Google Docs permite começar com uma estrutura simples; o Notion oferece modelos de diário; o Day One tem uma versão grátis e recursos pagos; e o Diarium funciona em múltiplas plataformas, com textos, fotos e vídeos.

Também é possível escolher a frequência de acordo com a rotina. A BBC recomenda associar a escrita a um momento habitual, como antes ou depois do banho. Para Lisa Guerra, o registro pode aparecer quando a pessoa estiver com a cabeça cheia ou tiver sido afetada por alguma situação. Algumas pessoas preferem escrever pela manhã; outras, antes de dormir.

Perguntas para destravar a escrita

Quando falta inspiração, Lisa Guerra sugere perguntas como “O que está ocupando minha cabeça hoje?” e “O que estou tentando evitar sentir?”. Também podem ajudar questões sobre o que causou cansaço, o que precisa ser feito e qual é a prioridade do momento.

A Universidade Curtin propõe refletir sobre como a pessoa está se sentindo, o que a desafiou, o que aprendeu e em que deseja se concentrar no dia seguinte. Não é necessário responder a tudo. Uma única pergunta relevante já pode iniciar o registro.

Matt Young, criador do site e podcast The Journaling Guy, defende que não existem regras rígidas para a prática. Ele apresenta formatos ligados à gratidão, aos objetivos, aos exercícios, às viagens, à alimentação, ao sono, à arte e ao bullet journaling, mas recomenda começar pelo básico.

Para Young, a honestidade também é importante: “Quando você é totalmente honesto consigo mesmo, revelações acontecem. Escrever um diário é algo privado; portanto, coloque no papel seus pensamentos mais profundos e sombrios”. O registro pode ter poucas linhas, uma página inteira, desenhos ou imagens. O formato mais útil é aquele que permite acompanhar a própria experiência sem transformar o hábito em uma obrigação.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Receba nossa newsletterUma seleção diária, direto na sua caixa de entrada.

As mais lidas

  1. 1
  2. 2
  3. 3
  4. 4
  5. 5