O reajuste de 15% no Bolsa Família, anunciado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a 17 dias das eleições, foi criticado pelo colunista Fernando Schüler. Para ele, a medida não tem previsibilidade fiscal e ocorre em um cenário de aumento da dívida pública e déficit nominal elevado.
Schüler afirmou que o benefício médio chegará a R$ 777 e classificou o aumento como uma ação de caráter eleitoral. “A 17 dias das eleições, o governo faz um aumento a descoberto, porque não tem nenhuma previsibilidade fiscal, do Bolsa Família, em 15%”, disse.
Críticas à política fiscal
O colunista também citou medidas adotadas em períodos pré-eleitorais por outros governos, incluindo a PEC Kamikaze e o perdão, total ou parcial, de dívidas do Fies. Na avaliação dele, o reajuste atual integra um movimento de medidas distributivistas antes da votação.
A crítica foi relacionada a declarações recentes de Lula sobre a necessidade de crescimento e de investimentos públicos, acompanhadas de uma defesa de menor preocupação com o controle fiscal. Schüler afirmou que o presidente já deu outras declarações que, segundo ele, demonstram pouca disposição para conter os gastos públicos.
Ele lembrou que a dívida pública brasileira correspondia a 71,7% do PIB quando o governo assumiu e que agora está em 82,5%. Também destacou que o déficit nominal caminha acima de 9% do PIB.
Para Schüler, o aumento do benefício, realizado em meio às contas públicas no vermelho, deve estimular o debate sobre o fim da reeleição.








