A divulgação de um áudio sobre a negociação do filme “Dark Horse”, cinebiografia de Jair Bolsonaro, provocou a maior repercussão do caso Master nas redes sociais nos últimos 30 dias. O levantamento do Instituto Democracia em Xeque (DX) registrou 383 mil menções e cerca de 8,6 milhões de interações nos dias 13 e 14 de maio, com base em mais de 16 mil perfis monitorados no Facebook, Instagram, YouTube, X e TikTok.
O filme foi patrocinado pelo ex-banqueiro Daniel Vorcaro e negociado diretamente pelo senador e pré-candidato à Presidência Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O monitoramento usou as ferramentas Talkwalker e DataLake, além de dados coletados por APIs públicas das plataformas.
Esquerda lidera publicações e interações
A análise identificou 4.829 posts com menções a Vorcaro e Flávio Bolsonaro. Perfis de esquerda responderam por 1.469 publicações, acima dos perfis de direita, com 1.133, e da imprensa, com 676. Para o DX, o resultado indica uma reação política mais ativa entre os perfis progressistas.
Em interações, os perfis de esquerda somaram mais de 4 milhões, seguidos pela imprensa, com 3,5 milhões, e pela direita, com 2,6 milhões. O instituto avalia que o campo progressista usou o conteúdo do áudio e os valores atribuídos ao financiamento do filme para desgastar Flávio Bolsonaro. A menor participação da direita foi associada à ausência de uma resposta unificada.
O termo “Bolsomaster” passou a ser usado para classificar o desgaste da pré-campanha do senador. PT e PSOL lideraram os resultados entre os partidos, com 591.715 interações e 172 posts, e 561.579 interações e 46 posts, respectivamente. O PL registrou 419.56 interações e 47 posts em defesa de Flávio.
Disputa entre apoiadores e adversários
A principal estratégia dos apoiadores de Flávio foi mobilizar o bordão “zero de Lei Rouanet”. A argumentação era que o filme não receberia dinheiro público e que o senador teria pedido o patrocínio a Vorcaro quando o empresário não tinha acusações. Adversários reagiram associando a obra à expressão “Roubanet” e a outros episódios, como o do detergente Ypê.
Carlos e Eduardo Bolsonaro também impulsionaram críticas a Romeu Zema, acusado de tentar ocupar um espaço político que seria de Flávio após publicar um vídeo contra o senador.
As publicações de maior engajamento, porém, trataram inicialmente da cobrança de valores feita por Flávio a Vorcaro para a produção do filme. Também foram retomadas declarações anteriores do senador sobre não ter relação com o ex-banqueiro, seguidas pelo reconhecimento da negociação.
O termo “lavanderia Master” ganhou espaço, assim como questionamentos sobre os recursos de Vorcaro. O relatório também registra menções a denúncias envolvendo Flávio, como rachadinha, Fabrício Queiroz, aquisição de imóveis, loja de chocolates e patrimônio. A queda da bolsa de valores e a alta do dólar no dia da divulgação do áudio também foram relacionadas ao impacto político do episódio.








