Bruno Lucchi, diretor técnico da CNA, defende que o próximo presidente do Brasil priorize um pacto nacional para reorganizar as contas públicas e criar condições para o crescimento. Na avaliação dele, medidas impopulares precisam ser adotadas no começo do mandato, antes que o custo político aumente.
A revisão do arcabouço fiscal aparece como a principal frente de ação. Lucchi afirma que o modelo atual permite brechas, exclusões e trabalho na banda inferior. Para ele, a mudança deve fazer parte de uma discussão mais ampla, que também envolva a Previdência, os supersalários e as emendas parlamentares.
Contas públicas e competitividade
O diretor técnico da CNA relaciona o equilíbrio fiscal à capacidade de financiar políticas públicas em áreas como infraestrutura, logística, pesquisa e educação. No agronegócio, cita a Embrapa como exemplo da importância da ciência e da pesquisa para o ganho de competitividade do setor.
Segundo Lucchi, a falta de recursos para instituições de pesquisa pode comprometer a competitividade futura. Ele também defende uma base educacional mais sólida e a revisão dos programas sociais, com maior integração e uma porta de saída para o mercado de trabalho.
O dirigente avalia que a agenda necessária envolve quase dez frentes de ação e não pode ser resolvida por uma medida isolada. A prioridade, porém, seria revisar o arcabouço fiscal já no início do governo.
Pressões sobre o agronegócio
Lucchi afirma que o agronegócio avançou apoiado em pesquisa, ciência, inovação e empreendedorismo, mas enfrenta limites para manter o ritmo. O setor convive com endividamento elevado, problemas climáticos, questões geopolíticas e aumento de custos.
A mecanização contribuiu para elevar a produtividade, mas a Selic alta e o crédito mais restrito dificultam novos avanços. Se esse cenário continuar, a velocidade e o potencial de crescimento do setor serão reduzidos, segundo o diretor técnico da CNA.
Na avaliação dele, a dificuldade para contratar no campo também envolve um desencontro regional. Existem propriedades com tecnologia, ambientes climatizados, boa estrutura e benefícios, mas a demanda por trabalhadores varia entre as regiões. Em alguns casos, produtores precisam buscar mão de obra a centenas de quilômetros.
O receio de perder benefícios sociais é outro obstáculo à formalização. Lucchi defende uma transição que ofereça segurança a quem aceitar um emprego, além de qualificação voltada às regiões e atividades com demanda.
Ao próximo governo, ele afirma que o problema já está mapeado e depende de articulação entre Executivo e Legislativo. Sem um pacto para o Brasil e disposição para adotar medidas impopulares, os mesmos problemas podem voltar a ser discutidos daqui a quatro anos, em uma situação mais grave.








