QUANTICO — O Pentágono anunciou a criação do Autonomous Warfare Command (AutoWarCom), estrutura militar dos Estados Unidos dedicada ao uso de inteligência artificial, drones, robôs e sistemas de armas não tripulados. O comando terá status de comando combatente funcional e será liderado por um oficial de quatro estrelas.
O anúncio foi feito pelo secretário de Defesa dos Estados Unidos, Pete Hegseth, durante o discurso “State of the Force”, realizado nesta quarta-feira (30), na base do Corpo de Fuzileiros Navais em Quantico, na Virgínia. A previsão é que o novo comando esteja estabelecido até 1º de outubro de 2027.
Nova estrutura militar
A missão do AutoWarCom será disseminar capacidades robóticas e autônomas por todas as Forças Armadas norte-americanas. O portfólio deverá incluir drones, inteligência artificial e sistemas de comando e controle.
Segundo Hegseth, a velocidade de transformação da guerra superou o ritmo tradicional de aquisição e adaptação militar. “O ritmo da guerra está mudando mais rápido do que o processo para apoiá-la”, afirmou.
O Pentágono avalia que avanços na computação permitiram produzir armas precisas e de baixo custo em grande escala. Esses sistemas podem realizar reconhecimento, saturar defesas e atacar alvos, alterando a relação entre equipamentos sofisticados e alternativas mais baratas.
A estratégia prevista não elimina plataformas militares de alta tecnologia. A proposta é combiná-las com grandes quantidades de drones e robôs, que possam ser produzidos, substituídos e adaptados rapidamente. A guerra da Ucrânia é tratada pelo Pentágono como um exemplo da presença cotidiana de sistemas não tripulados em missões de reconhecimento, vigilância, direcionamento de artilharia e ataques diretos.
O AutoWarCom deverá se tornar o 12º comando combatente dos Estados Unidos. A estrutura terá poderes semelhantes aos de uma força militar para acelerar a aquisição, o desenvolvimento e a implantação de sistemas autônomos. Também estão previstas carreiras específicas para militares especializados nesse tipo de guerra, com participação do Exército, da Marinha e da Força Aérea.
Antes da operação plena, o Pentágono implantará o Project Agincourt, destinado a testar modelos de aquisição e preparar a criação do novo comando. A proposta inclui aproximar militares, engenheiros e empresas de tecnologia, com ciclos de teste, alteração e produção mais rápidos.
Controle humano em debate
A expansão da autonomia militar levanta questões sobre o grau de controle humano em decisões tomadas por sistemas de inteligência artificial, especialmente quando elas podem resultar na morte de pessoas. Falhas de software, erros de classificação, manipulação de dados e decisões imprevisíveis são apontados como riscos em ambientes militares.
A discussão ocorre em meio à competição tecnológica entre Estados Unidos e China. Os dois países investem em inteligência artificial, computação avançada, drones e sistemas autônomos, o que pode acelerar a implantação dessas ferramentas antes da criação de mecanismos internacionais de limites e salvaguardas.
O Pentágono já mantém a Joint Interagency Task Force 401 para coordenar esforços contra sistemas não tripulados. Com o novo comando, porém, a autonomia passa a ocupar uma posição própria na organização militar dos Estados Unidos, deixando de ser tratada apenas como complemento das forças convencionais.









