O líder da oposição israelense, Yair Lapid, acusou o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu de alarmar a população ao divulgar possíveis ataques contra Israel antes das eleições gerais. Após uma reunião de segurança com Netanyahu na terça-feira (29), Lapid afirmou que o calendário eleitoral deve ser mantido e que não havia razão para provocar temor.
A declaração ocorreu depois de Netanyahu publicar um vídeo gravado em uma base militar, diante de um caça. O primeiro-ministro disse haver indícios de que os inimigos de Israel poderiam tentar atacar o país antes da votação, mas não apontou os possíveis responsáveis nem apresentou publicamente as informações usadas para fazer o alerta.
Lapid havia pedido uma reunião urgente para obter esclarecimentos. Depois do encontro, afirmou que “não há motivo para pânico na população” e disse que ninguém deveria tentar interromper as eleições. O pleito está previsto para 27 de outubro e será o primeiro desde os ataques liderados pelo Hamas em 7 de outubro de 2023.
Críticas à atuação de Netanyahu
Lapid também questionou o uso de instalações das Forças Armadas em vídeos eleitorais. Ele associou o novo alerta às críticas sobre advertências que, segundo ele, o governo teria ignorado antes dos ataques de 2023. O oposicionista declarou que manteria em sigilo o conteúdo da reunião, mas cobrou tratamento profissional e responsável para as ameaças de segurança.
Netanyahu respondeu que havia informado Lapid sobre possíveis ataques em várias frentes antes da eleição. Também afirmou que realiza reuniões periódicas para transmitir informações de segurança ao líder da oposição. Nas últimas semanas, o primeiro-ministro fez advertências ao Irã, ao Hamas, ao Hezbollah e à Autoridade Palestina, sem especificar qual desses atores estaria relacionado ao vídeo.
Disputa eleitoral
Uma média de pesquisas citada no texto coloca o partido Yashar, do ex-chefe militar Gadi Eisenkot, dois pontos percentuais à frente do Likud, liderado por Netanyahu. A projeção aponta 64 cadeiras para os partidos contrários ao governo no Knesset, que tem 120 integrantes. O número representa 15 assentos a mais que o estimado para as legendas alinhadas ao primeiro-ministro, mas não garante a formação de uma coalizão.
Lapid, Eisenkot e outros líderes oposicionistas anunciaram um acordo para coordenar a campanha, ampliar a participação e buscar apoio em diferentes setores. As críticas à atuação de Netanyahu antes dos ataques de 7 de outubro de 2023 permanecem no centro da disputa. O conflito iniciado após os ataques matou mais de 76 mil palestinos, de acordo com a Al Jazeera.








