A seleção da Irlanda decidiu disputar os dois jogos contra Israel pela Liga das Nações da Uefa, apesar dos protestos e dos pedidos de boicote motivados pela guerra em Gaza. A decisão foi tomada em uma votação entre os jogadores neste sábado, informou a Federação Irlandesa de Futebol (FAI).
Na quinta-feira, Jason Knight havia declarado que “essa partida não deveria ser disputada”. O técnico Heimir Hallgrimsson também reconheceu o desconforto do grupo e afirmou: “Não jogamos com o genocídio, jogamos contra o genocídio. Não jogamos com Israel, jogamos contra Israel”.
A Federação Israelense de Futebol acusou o treinador islandês de “estupidez, ignorância e hipocrisia”. O primeiro-ministro irlandês, Micheal Martin, manifestou apoio a Hallgrimsson no início desta semana.
Os confrontos serão realizados fora da Irlanda. O jogo de domingo terá Israel como mandante em Debrecen, na Hungria, porque a equipe não pode sediar partidas internacionais por motivos de segurança. Em 4 de outubro, as seleções voltarão a se enfrentar no Estádio de Backa Topola, na Sérvia, a portas fechadas.
Transmissão sem comentaristas
A televisão pública RTÉ é obrigada por contrato a exibir os jogos, mas decidiu retirar a narração das transmissões. A emissora também anunciou que não participará pelo segundo ano consecutivo da Eurovision por causa da presença de Israel no festival.
Neil O’Boyle, professor da Universidade de Dublin, classificou a medida como incomum. Para ele, a transmissão silenciosa funciona como uma forma de compromisso moral.
Mais de 160 atletas irlandeses pediram que a seleção boicotasse as partidas, e manifestações foram organizadas contra a FAI. A federação solicitou no ano passado à Uefa a suspensão de Israel, sem sucesso. A entidade afirma que precisa cumprir os confrontos para evitar sanções esportivas e financeiras.
A Irlanda reconheceu oficialmente o Estado palestino em 2024 e condenou repetidamente a guerra em Gaza. Israel rejeita as acusações de genocídio. O conflito começou após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, que deixou 1.221 mortos, segundo cifras oficiais israelenses. A ofensiva israelense deslocou quase a totalidade dos dois milhões de habitantes da Faixa de Gaza e provocou quase 74 mil mortos, segundo o ministério da Saúde de Gaza. Um cessar-fogo entrou em vigor em outubro de 2025.








