Londrina, Terça-feira, 29 de setembro de 2026
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Clarice Lispector inspira novas criações de Bjork, Lorde e Olivia Rodrigo

A escritora brasileira aparece em leituras, composições e referências de artistas de diferentes países e gerações.

Clarice Lispector inspira novas criações de Bjork, Lorde e Olivia Rodrigo
Foto: Colagem de Thais Baroco em fotos de Denise Andrade, Tonia Chagas, Paulo Gurgekl e Acervo IMS Divulgação

Uma música ainda não lançada de Bjork terá como inspiração o encontro entre uma mulher e uma barata, episódio central de A Paixão Segundo G.H.. A cantora islandesa se declara fã de Clarice Lispector, autora brasileira que explora essa experiência no livro.

A pesquisadora Ilana Feldman, organizadora de uma obra sobre a adaptação cinematográfica da história, afirma que Bjork escolheu o livro mais radical de Clarice. A avaliação está ligada ao percurso da personagem, marcado pela perda da forma humana, pela desmontagem e pelo questionamento da identidade.

A cantora resumiu o impacto da leitura em sua criação: “Clarice convida a gente a estranhar”. Para Bjork, esse estranhamento envolve o mundo e a própria percepção de quem somos antes de um possível reencontro.

Leituras que chegaram ao pop

A presença de Clarice não se limita à cantora islandesa. Dua Lipa recomendou livros da autora em seu clube do livro. Lorde, da Nova Zelândia, leu obras de Lispector durante a composição de seu álbum mais recente. Olivia Rodrigo encheu de anotações seu exemplar de A Hora da Estrela.

Para Ilana, a barata concentra sentidos que ajudam a explicar a permanência da escritora. O animal pode ser visto como repugnante e, ao mesmo tempo, associado a uma rainha, com olhos e antenas capazes de captar sinais. Na interpretação da pesquisadora, essa imagem aproxima Clarice do passado e do futuro.

A universalidade da autora também estaria na radicalidade de seus questionamentos sobre a existência humana. Ilana destaca que, em 1964, Clarice já colocava em questão o próprio lugar no mundo e a identidade construída na relação com outra pessoa.

A obra reúne ainda elementos ligados à invisibilidade, ao abismo entre classes sociais e ao racismo estrutural. Para Ilana, essa combinação faz com que o livro seja profundamente brasileiro e, ao mesmo tempo, universal.

Texto produzido pela Redação Ponto de Hoje com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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