Documentos da Polícia Federal e da Procuradoria-Geral da República indicam que Flávio Bolsonaro atuou diretamente nas negociações com Daniel Vorcaro para obter recursos destinados ao filme “Dark Horse”, sobre Jair Bolsonaro. O material também aponta que Eduardo Bolsonaro administrava o dinheiro levantado para a produção nos Estados Unidos.
Os documentos tiveram o sigilo retirado pelo Supremo Tribunal Federal. Na noite de quinta-feira (10), o presidente da Corte, Edson Fachin, determinou a divulgação do material relacionado ao Banco Master. O relator do caso, ministro André Mendonça, atendeu à decisão. O fim da confidencialidade também havia sido defendido anteriormente pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Negociações e valores
A investigação registra troca de mensagens entre Flávio Bolsonaro, Vorcaro e pessoas ligadas ao ex-banqueiro. O senador também teria se reunido pessoalmente com o dono do Banco Master e feito cobranças sobre os investimentos no filme.
“tais elementos indicam que o senador Flávio Nantes Bolsonaro não aparece apenas como terceiro mencionado em comunicações de outras pessoas, mas como interlocutor direto de Daniel Vorcaro em tratativas relacionadas ao financiamento da produção”, afirma o relatório da PF. O documento cita ainda cobranças de pagamentos, reuniões presenciais e acompanhamento das gravações.
As negociações envolveriam pelo menos US$ 24 milhões, equivalentes atualmente a aproximadamente R$ 122,7 milhões. Desse total, ao menos US$ 12,3 milhões, cerca de R$ 62,9 milhões, teriam sido pagos.
Segundo a investigação, Eduardo Bolsonaro dava orientações sobre como os recursos poderiam ser administrados nos Estados Unidos. A gestão seria feita pelo fundo Havengate, ligado a Paulo Calixto, advogado de Eduardo.
Criado em 2020, o fundo teria permanecido sem movimentação até fevereiro de 2025. Depois, recebeu US$ 2 milhões da Entre, empresa usada por Vorcaro para realizar pagamentos relacionados ao longa-metragem.
A PF afirma que os dados reunidos justificam a abertura de uma investigação para esclarecer a origem, o trânsito, a destinação e os beneficiários finais dos valores. A PGR também pediu um levantamento de propostas legislativas apresentadas por Flávio Bolsonaro e pelo deputado Mário Frias que possam ter beneficiado Vorcaro ou o Banco Master.
Operação sobre a produção
Na quinta-feira, a PF realizou uma operação autorizada pelo ministro Flávio Dino para apurar possível desvio de R$ 750 mil da produção e uso de verba pública. Mário Frias está entre os alvos. Conforme o relatório, ele destinou R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil, presidido por Karina Gama, que também é dona da Go Up Entertainment, produtora do filme.
Após a divulgação dos documentos, Flávio Bolsonaro pediu transparência total sobre o caso e afirmou, em entrevista, que isso confirmaria sua versão de que não havia irregularidades relacionadas ao filme. Na quinta-feira, ele classificou a operação como “fajuta” e disse que faltavam 24 dias para a eleição.








