A destruição de móveis e objetos pode revelar que o cachorro não está conseguindo lidar bem com a rotina, especialmente quando ocorre durante a ausência do tutor. Uma revisão publicada na revista científica Frontiers in Veterinary Science aponta que mastigar é uma necessidade comportamental dos cães. Sem opções adequadas, eles podem direcionar esse comportamento para itens disponíveis pela casa.
A explicação não deve ser automaticamente associada à desobediência ou a uma tentativa de vingança. Excesso de energia, tédio, falta de estímulos e dificuldade para ficar sozinho estão entre as possibilidades. Beatriz França, especialista em comportamento animal e fundadora da Creche Escola BFA, no Brasil, e da PETland BFA, em Miami, afirma que o contexto precisa ser analisado antes da tentativa de interromper o comportamento.
Como identificar a causa
O tutor deve observar se a destruição aparece principalmente quando o animal fica sozinho. Vocalização excessiva, agitação, tentativas de fuga e incapacidade de relaxar também podem indicar dificuldade para lidar com a ausência.
A rotina do cachorro é outro ponto de atenção. Passeios, brincadeiras, atividades de aprendizagem, busca de objetos, exploração por meio do olfato e brinquedos interativos ajudam a trabalhar o corpo e a mente. A falta dessas experiências pode aumentar o tédio e a frustração.
Também é recomendado oferecer brinquedos com diferentes texturas, objetos próprios para mastigação e atividades de busca. Essas alternativas ajudam a direcionar o ato de roer para opções seguras. Ao mesmo tempo, sapatos, almofadas, lixo e objetos pequenos devem ser retirados do alcance do animal.
Orientações para o dia a dia
Horários previsíveis para passeio, alimentação, brincadeiras e descanso podem facilitar a organização da rotina. A especialista ressalta que não é necessário estabelecer um cronograma rígido, mas o cachorro precisa conseguir antecipar os principais momentos do dia.
A educação deve mostrar quais comportamentos são desejados, em vez de se concentrar apenas na correção. Reforçar a atitude adequada no momento em que ela ocorre é mais eficiente do que repreender o animal horas depois de um objeto ter sido destruído.
Quando a destruição é persistente, intensa ou surge de forma inesperada, é necessário investigar a causa. Mudanças repentinas acompanhadas de outras alterações podem exigir orientação veterinária e, quando necessário, o apoio de um profissional de comportamento. “A destruição não é um diagnóstico, ela pode ter diferentes causas”, alerta Beatriz França.








