Leandro Castán vê o Corinthians de Fernando Diniz fortalecido nas competições de mata-mata e acredita que a equipe tem muitas chances de avançar contra o Estudiantes, pelas quartas de final da Copa Libertadores. O ex-zagueiro também relembrou a campanha do título continental de 2012, quando o adversário na mesma fase era o Vasco da Gama.
Naquela disputa, o jogo foi marcado pela chuva intensa e pelo campo tomado pela lama. Depois do empate sem gols na ida, o Corinthians suportou a pressão no duelo decisivo e garantiu a classificação. Castán afirmou que o confronto teve características de batalha e destacou a união do elenco comandado por Tite.
“Era um grupo muito fechado e amigo, e tinha um acordo que ninguém seria vilão, um correndo pelo outro”, disse o ex-zagueiro. Para ele, o treinador teve papel importante na preparação emocional dos jogadores, em um período no qual esse aspecto ainda recebia menos atenção no futebol.
A defesa de Cássio e a saída para a Europa
A classificação diante do Vasco ficou marcada pela defesa de Cássio em uma finalização de Diego Souza. Na sequência, Nilton acertou o travessão, lance que aumentou entre os corintianos a confiança de que a equipe poderia conquistar o título.
Castán deixou o Corinthians após a final da Libertadores e foi contratado pela Roma. A transferência fazia parte de um planejamento profissional que incluía jogar na Europa, chegar à Seleção Brasileira e buscar uma vaga na Copa de 2014. Durante sua passagem pelo clube italiano, o zagueiro sentiu tontura em um treino e descobriu, após exames, um cavernoma, malformação vascular do sistema nervoso central. Ele precisou retirar um tumor do cérebro.
O problema de saúde fez Castán considerar a aposentadoria. Mais tarde, o reencontro com Diniz no Vasco ajudou o ex-jogador a recuperar o prazer de atuar nos últimos momentos da carreira. Os dois já haviam trabalhado juntos, e Castán afirma que o treinador o inspirou a pensar na carreira de técnico.
Análise sobre o Corinthians atual
Ao comparar as equipes, Castán ressaltou que o elenco de 2012 reunia jogadores como Alex, Danilo, Liedson, Sheik, Chicão, Alessandro, Ralf, Paulinho, Cássio e Jorge Henrique. Por isso, considera difícil estabelecer uma comparação direta com o grupo atual.
Mesmo assim, o ex-zagueiro identifica uma mudança no comportamento do Corinthians em torneios eliminatórios. Ele afirma que a equipe tem apresentado força na Copa do Brasil, na Sul-Americana e na Libertadores, embora veja diferenças em relação ao desempenho no Campeonato Brasileiro.
“Está no caminho certo para trazer esse bicampeonato”, avaliou Castán sobre a possibilidade de o Corinthians conquistar novamente a Libertadores. Na análise do ex-defensor, o time soube sofrer na Argentina e precisa manter essa capacidade para avançar no torneio.
Castán também elogiou a adaptação de Diniz. Segundo ele, o estilo de jogo do treinador mudou, mas a competitividade permaneceu. O ex-zagueiro considera que a capacidade de trabalhar com as peças disponíveis é uma das características do técnico.
Espaço para a base
Outro ponto destacado foi a utilização de jogadores formados nas categorias de base. Castán afirmou que o Corinthians enfrenta problemas financeiros e que os atletas jovens podem ser uma solução. Ele citou Iago Machado, cujo potencial acompanhou durante um estágio com Laruccia, ex-técnico do Sub-17, em 2025.
O ex-zagueiro também mencionou a estreia de Iago contra o Flamengo e avaliou que Diniz tem dado oportunidades à base. Sobre Yuri, disse que o atacante faz muita falta e que sua volta seria importante para a continuidade do trabalho.
Para Castán, a análise do esquema tático não deve se limitar à formação inicial. Mais importante do que a estrutura, segundo ele, é a maneira como o treinador movimenta os jogadores dentro dela.
Castán chegou ao Corinthians em 2010 e começou como reserva. A saída do capitão William abriu espaço para sua titularidade. No ano seguinte, ele ganhou protagonismo na campanha do Campeonato Brasileiro e foi eleito o melhor defensor da competição.
Em 2012, manteve o alto nível e teve participação na conquista inédita da Libertadores pelo Corinthians. As atuações no torneio renderam convocação para a Seleção Brasileira e atraíram o interesse da Roma, onde o zagueiro também ganhou destaque.








